Obama ameniza restrições impostas a Cuba

Por Matt Spetalnick WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, atenuou na segunda-feira algumas restrições contra Cuba, que afetavam empresas norte-americanas e imigrantes cubanos nos EUA.

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As decisões revertem o endurecimento na política dos EUA para Havana, que vinha do governo de George W. Bush. Pelas novas regras, imigrantes cubanos nos EUA não têm mais limites para as viagens que podem fazer à ilha e para a transferência de dinheiro para parentes e amigos.

Mas as medidas divulgadas pela Casa Branca, embora abram a perspectiva de uma aproximação política entre os dois governos, não eliminam o embargo comercial em vigor há 47 anos, um resquício da Guerra Fria.

"O presidente determinou que uma série de medidas seja tomada para se aproximar do povo cubano em seu desejo de desfrutar direitos humanos básicos", disse o porta-voz da Casa Branca Robert Gibbs a jornalistas. "São ações que ele tomou para abrir o fluxo de informações."

Fontes do governo dizem que Obama espera que as novas medidas estimulem o regime comunista cubano a implementar reformas democráticas na ilha.

Ações de empresas que devem lucrar com um eventual degelo nas relações bilaterais dispararam com a notícia. Os papéis a empresa canadense de minas e energia Sherritt International, que tem grande participação no setor cubano de níquel e petróleo, tiveram alta de 17,6 por cento.

As ações da operadora de cruzeiros Royal Caribbean, de Miami, também tiveram alta, por causa da expectativa de que essa empresa, a segunda maior do setor, e sua concorrente Carnival possam em breve realizar viagens para Cuba, que fica a apenas 140 quilômetros dos EUA.

Pelas mudanças anunciadas, o governo Obama permitirá que empresas de telecomunicações e de rádio e TV por satélite busquem licenças e acordos para operarem em Cuba, segundo a Casa Branca.

Sinalizando a perspectiva de novos gestos, Obama também determinou que seu governo examine a possibilidade de iniciar voos comerciais regulares para a ilha. Atualmente, a ligação aérea entre os dois países se limita a voos fretados.

Defensores do abrandamento das sanções elogiaram as medidas relativas ao contato de cubanos com seus familiares, o que afetará cerca de 1,5 milhão de habitantes dos EUA que têm parentes na ilha.

Eles manifestaram a esperança de que isso seja um prenúncio do fim do embargo, considerado obsoleto por seus detratores.

Já os críticos conservadores temem que as novas medidas acabem alimentando financeiramente o regime comunista, no poder há 50 anos.

(Reportagem de Matt Spetalnick)

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