Obama alerta Irã para consequências de reação a protestos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, nesta sexta-feira, que o governo do Irã deve estar ciente de que o mundo está observando o que ocorre no país. Estou muito preocupado, com base no teor e no tom de algumas declarações, que o governo do Irã reconheça que o mundo está observando, disse Obama em entrevista ao canal de TV americano CBS.

BBC Brasil |

"E a maneira como eles vão lidar com as pessoas que estão, por meios pacíficos, tentando ser ouvidas, eu acho, envia uma mensagem bem clara à comunidade internacional sobre o que o Irã é e o que não é", afirmou.

As declarações do presidente americano foram feitas horas depois de o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ter endossado o resultado das eleições que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad e ter dito que os protestos que se seguiram são inaceitáveis e devem acabar.

Em sua primeira aparição pública depois da divulgação dos resultados oficiais do pleito, que deram a vitória a Ahmadinejad com mais de 62% dos votos, Khamenei disse que os manifestantes serão responsabilizados pelas consequências caso os protestos continuem.

Desde o sábado passado, quando os resultados foram divulgados, protestos diários têm sido realizados na capital, Teerã, e em diversas outras cidades iranianas. O principal candidato derrotado nas eleições, o reformista Mir-Hossein Mousavi, alega que houve fraude no pleito.

Khamenei
Em seu discurso, na Universidade de Teerã, Khamenei disse que o resultado das eleições vem das urnas, não das ruas. O aiatolá disse que os protestos são inaceitáveis e que suas lideranças serão responsabilizadas por qualquer derramamento de sangue ocorrido nas manifestações.

A oposição cancelou um protesto marcado para esta sexta-feira, mas disse que haverá novas passeatas no sábado. No entanto, o governador da província de Teerã, Morteza Tamadon, disse que os manifestantes não receberam permissão para realizar nenhum tipo de protesto.

O aiatolá Khamenei voltou a manifestar seu apoio a Ahmadinejad e disse que as opiniões do presidente a respeito de questões sociais e relações exteriores são similares às suas.

Ahmadinejad estava entre as milhares de pessoas que lotaram o campus da universidade e as ruas próximas para ouvir o discurso do líder supremo do Irã.

Khamenei voltou a rejeitar as alegações de fraude na votação. "Há uma diferença de 11 milhões de votos. Como alguém poderia falsificar 11 milhões de votos?", disse.

Ele disse que os candidatos com dúvidas sobre o resultado da eleição devem usar o sistema legal para qualquer tipo de contestação.

O mais alto órgão legislativo do Irã, o Conselho dos Guardiões, já disse que está investigando 646 alegações de irregularidades feitas pelos três candidatos derrotados.

O conselho convidou Mousavi e os outros dois candidatos - o conservador Mohsen Rezai e o reformista Mehdi Karroubi - para discutir as queixas em uma reunião neste sábado.

Críticas
No pronunciamento, o líder supremo do Irã também criticou governos ocidentais, o quais classificou de "potências arrogantes", e empresas de comunicação dos Estados Unidos e de alguns países da Europa que, segundo ele, mostraram sua verdadeira face.

"Alguns dos nossos inimigos em diferentes partes do mundo queriam descrever essa vitória absoluta, essa vitória definitiva, como uma vitória duvidosa", disse.

Khamenei disse também que o governo britânico é o pior de todos. Em reação, o governo da Grã-Bretanha convocou o embaixador iraniano em Londres para explicar os comentários do aiatolá. No entanto, o encarregado de negócios foi enviado no lugar do embaixador para prestar esclarecimentos.

Logo após o discurso, a Anistia Internacional divulgou um comunicado em que se diz "extremamente perturbada" com o pronunciamento de Khamenei, que indicaria "a disposição das autoridades em lançar violenta repressão caso as pessoas continuem a protestar".

A organização de defesa dos direitos humanos afirmou ter relatos de que pelo menos 10 manifestantes teriam sido mortos em confrontos com forças de segurança e milícias pró-governo.

A alta-comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, manifestou preocupação com o número de opositores presos e pediu que o governo controle a ação das milícias.

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