Obama aguarda sinal de Cuba para avançar na reaproximação

Por Jeff Franks HAVANA (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, abriu na quinta-feira as portas para mais mudanças nas relações com Cuba, desde que Havana ofereça uma recíproca sobre a qual analistas se mostram céticos.

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O presidente afirmou à CNN que, depois de suspender as restrições a viagens e remessas financeiras de cubano-americanos para a ilha, nesta semana, ele espera "algum sinal de que haverá mudanças na forma como Cuba opera", a respeito de questões como presos políticos e liberdade de expressão.

Enquanto ele fazia uma visita ao México a caminho da Cúpula das Américas que começa na sexta-feira em Trinidad e Tobago, a secretária de Estado Hillary Clinton dizia a jornalistas no Haiti que "estamos prontos para discutir com Cuba medidas adicionais que podem ser tomadas".

"Gostaríamos de ver Cuba abrir sua sociedade, libertar os presos políticos, abrir-se à opinião e à mídia exteriores e ter um tipo de sociedade que todos nós sabemos que melhoraria as oportunidades para o povo cubano e sua nação", declarou ela.

Não houve reação imediata por parte do regime comunista cubano, cujos líderes têm falado bem de Obama e manifestado abertura ao diálogo, mas rejeitando a ideia de pré-condições norte-americanas a respeito de questões internas.

Supostamente há em Cuba cerca de 200 presos políticos, que o governo considera serem mercenários a serviço de Washington.

O presidente Raúl Castro tem dito que eventuais conversas com os EUA devem se dar "sem nem mesmo a menor sombra sobre a nossa soberania".

"Não temos pressa, não estamos desesperados", disse ele em janeiro à TV local. "Não vamos conversar (se os EUA brandirem) o porrete e a cenoura. Esse tempo acabou."

Na opinião do advogado norte-americano Robert Muse, especialista em questões cubanas, isso significa que "eles nunca vão aceitar a condicionalidade --a ideia de que, se você fizer isso, receberá algum benefício mal definido mais adiante."

"Você pode colocar a bola na quadra deles, mas os cubanos nunca vão devolvê-la. Eles simplesmente não vão jogar", afirmou.

(Reportagem adicional de Joseph Guyler Delva no Haiti)

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