Obama afirma que não intervirá nas negociações sobre Gaza

O futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que está preocupado com os ataques israelenses a Gaza, mas destacou que não intervirá nas delicadas negociações sobre a questão realizadas pelo atual governo americano.

Redação com agências internacionais |


Questionado sobre se os ataques israelenses contra o Hamas vão distraí-lo de sua agenda econômica, Obama respondeu: "Obviamente, os assuntos internacionais são motivo de forte preocupação".

Depois de se reunir com líderes do Congresso, Obama indicou aos jornalistas que "não pode haver duas vozes que falem pelos Estados Unidos" em questões de política externa.

Também nesta segunda-feira, em uma entrevista coletiva em Washington, o presidente norte-americano, George W. Bush, disse que qualquer esforço de trégua para encerrar a crise em Gaza deve incluir ações que previnam o lançamento de foguetes em Israel pelo Hamas na faixa costeira.

"Em vez de se importar com o povo de Gaza, o Hamas decidiu usar a região para lançar foguetes e matar israelenses inocentes", disse Bush a jornalistas após uma reunião na Casa Branca com uma autoridade do Sudão. "Obviamente, Israel decidiu se proteger Qualquer medida de trégua precisa ter condições para que o Hamas não use Gaza como um lugar para lançar foguetes", acrescentou.

Décimo dia de combate

Nesta segunda-feira, tropas israelenses cercaram a capital de Gaza e dividiram a faixa em três partes incomunicáveis, onde continuaram os confrontos com milicianos do Hamas e de outros grupos armados enquanto se agrava a situação humanitária.

No início da noite, os combates mais sangrentos aconteceram no norte da Cidade de Gaza, onde as milícias palestinas mantinham com armas automáticas um intenso fogo cruzado com as forças israelenses, tanto de artilharia quanto de infantaria. Pelo menos 550 palestinos morreram desde o início da ofensiva israelense.

Os soldados israelenses continuaram cercando a capital Gaza, tomando posições nos bairros dos arredores da cidade e bombardeando duramente o norte e o leste da cidade, sede do poder do governo "de fato" do Hamas na faixa. 

AP

Crianças aguardam atendimento em hospital de Gaza

As milícias palestinas, por sua parte, conseguem continuar lançando foguetes contra o sul de Israel. Apesar da forte presença de tropas israelenses em seu território, os milicianos dispararam ao longo do dia mais de 30 foguetes, alguns dos quais atingiram as cidades de Sderot e Ashdod, sem causar vítimas.

No primeiro discurso público de um alto dirigente do Hamas desde que começou a ofensiva israelense há dez dias, o chefe local do movimento islamita, Mahmoud Zahar, afirmou na emissora de televisão palestina "Al-Aqsa TV" que "a resistência vencerá no final".

Zahar exigiu "fim incondicional das operações israelenses na Faixa de Gaza, fim do bloqueio e a reabertura dos postos de fronteira, incluindo a passagem de Rafah" (com o Egito) e criticou a União Européia (UE) e os EUA por "não tentarem frear a invasão" israelense.

O braço armado do Hamas afirmou, em comunicado, que guarda "muitas surpresas para o inimigo", entre elas um arsenal de mísseis antitanque B-29 e de um novo tipo de foguete denominado "Tandem", que seria usado contra os encouraçados israelenses.

No domingo, Israel confirmou a morte de seu primeiro militar durante a incursão terrestre e que 30 de seus soldados haviam sido feridos. Na noite desta segunda-feira, a emissora de TV Al Jazira noticiou que três soldados israelenses morreram nos combates em Gaza.

A imprensa israelense também assinalava que pelo menos outros sete soldados teriam ficado feridos, embora porta-vozes de Israel não tenham confirmado a informação.

Gaza dividida

As forças israelenses dividiram Gaza em três partes para evitar que as milícias recebam reforços, o que também impede a livre movimentação dentro do território de seu 1,5 milhão de habitantes.

Essa estratégia militar também dificulta o trabalho das agências humanitárias e agrava a situação da população civil, que fontes da ONU classificam como "dramática".


Mais de 1 milhão de pessoas não dispõem de água nem eletricidade há dois dias e são cada vez mais escassos os alimentos e os remédios, segundo explicou Ahmed abu Shamaleh, responsável na Cidade de Gaza da Agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA).

"Atualmente não há serviços públicos, nem água, nem eletricidade, nem pão, nem alimentos essenciais. Não funcionam os telefones, a vida está paralisada, ninguém trabalha, faltam remédios; o que mais é preciso para reconhecer que há um desastre humanitário?", perguntou Shamaleh.

Nahum Sirotsky, colunista do iG, comenta a situação em Gaza; veja o vídeo:


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