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Obama adverte o Irã de que o mundo observa seu comportamento

Em entrevista concedida nesta sexta-feira ao canal de TV CBS News, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, advertiu o Irã de que o mundo observa seu comportamento na crise consecutiva à eleição presidencial.

Redação com AFP |


Obama concedeu a entrevista poucas horas após a intervenção do guia supremo Ali Khamenei, que exigiu o fim dos protestos em seu país.

"Levando em conta o teor e o tom de algumas declarações, me parece muito importante que o governo iraniano se dê conta de que o mundo o está observando", declarou Obama.

"A forma como eles (os dirigentes iranianos) tratam pessoas que tentam ser ouvidas por meios pacíficos dará à comunidade internacional uma boa ideia do que é ou do que não é o Irã", acrescentou.

Pronunciamento

Nesta sexta-feira, o guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, defendeu a legitimidade da reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad: "o povo escolheu quem queria" na semana passada e exigiu o fim dos protestos contra os resultados do pleito.

Ele ainda advertiu que não cederá ao movimento nas ruas e responsabilizou o "extremismo" da oposição por qualquer ato de violência.

Em pregação na Universidade de Teerã, a personalidade mais importante do Irã excluiu a possibilidade de fraude em grande escala que pudesse alterar o resultado do pleito. Nesta aparição pública, que é a primeira  após uma semana de manifestações, ele lembrou a participação popular excepcional de 85% nas eleições de 12 de junho.

AP
Khamenei disse que resultado da eleição foi justo

Khamenei disse que resultado da eleição foi justo

"O povo elegeu quem queria" e Ahmadinejad "recebeu 24,5 milhões de votos" (63%), disse Khamenei, para milhares de fiéis, entre eles o presidente, antes da oração de sexta-feira.

O aiatolá Khamenei declarou na Universidade de Teerã que não hesitará em denunciar aqueles que escolhem outra via senão a de participar da festa eleitoral.

Khamenei expressou apoio a Ahmadinejad. "As opiniões do presidente são mais próximas das minhas que as de Akbar Hachemi Rafsanjani", declarou, em referência ao ex-presidente da República Islâmica. Rafsanjani apoiou o candidato moderado Mir Hossein Moussavi que, segundo os resultados oficiais, teria recebido 34% dos votos. Além disso, o aiatolá criticou a atitude de países ocidentais.

"Os representantes de vários países que usavam até agora uma linguagem diplomática mostraram sua verdadeira face, em primeiro lugar o governo britânico", disse Khamenei durante seu sermão. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, chegou a afirmar que o Irã deveria responder as sérias perguntas levantadas com a reeleição de Ahmadinejad.

Direito de expressão

Reuters
Manifestante em frente à
embaixada do Irã, na Romênia
A oposição não reagiu imediatamente ao discurso de Khamenei. No entanto, os partidários de Moussavi cancelaram pela primeira vez, desde o início de seu movimento, a manifestação prevista para esta sexta, justamente na Universidade onde Khamenei fez o pronunciamento.

O governo, por sua vez, anunciou a proibição de outra manifestação prevista para o sábado, em Teerã.

Os líderes da União Europeia (UE) pediram ao Irã que dê ao povo iraniano o direito de se reunir e se expressar, pouco depois do discurso do guia supremo.

"O Conselho Europeu pede às autoridades iranianas que garantam o direito de reunião e expressão pacífica para todos os iranianos e se abstenham de recorrer à força contra manifestações pacíficas", assinalam os chefes de Estado e de Governo dos 27 países da União Europeia (UE), reunidos em Bruxelas, em documento obtido pela AFP com antecedência.

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