Obama adverte a Coreia do Norte que lançamento de míssil seria uma provocação

O presidente Barack Obama fez uma advertência nesta sexta-feira à Coreia do Norte por sua intenção de lançar neste fim de semana um suposto satélite, que a comunidade internacional teme que seja um míssil de longo alcance.

AFP |

"Deixamos bem claro aos norte-coreanos que o lançamento de seu míssil é uma provocação", afirmou Obama em coletiva de imprensa conjunta com o presidente francês Nicolas Sarkozy em sua chegada a Estrasburgo (leste de Francia), onde participa na cúpula pelos 60 anos da Otan.

"O projeto dos norte-coranos exerce uma enorme pressão sobre as conversações a seis. Eles deveriam frear o lançamento", insistiu Obama, referindo-se às negociações sobre o desarmamento nuclear de Pyongyang conduzidas pelos Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, afirmou nesta sexta-feira que a Coreia do Norte poderá lançar seu artefato no sábado, se as condições meteorológicas permitirem.

A data provável de sábado já havia sido anunciada pelo primeiro-ministro japonês Taro Aso.

A agência meteorológica sul-coreana prevê para este final de semana céu encoberto, mas não chove nem venta forte, na área de lançamento de Musudan-ri, condições que permitiriam a decolagem de um míssil.

A Coreia do Norte anunciou que colocaria em órbita, entre sábado e quarta-feira, um "satélite de telecomunicações" que sobrevoaria o norte do arquipélago japonês.

Mas os Estados Unidos e seus aliados asiáticos suspeitam que o lançamento possa servir de pretexto para um disparo de teste de um míssil de longo alcance Taepodong-2, teoricamente capaz de atingir o Alasca.

Para o primeiro-ministro japonês, "um teste de míssil comprometeria a paz e a estabilidade na região".

"O lançamento do míssil representaria uma violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e, por essa razão, é inaceitável", acrescentou Aso, presente no G20 de Londres.

O Japão, assim como os Estados Unidos e a Coreia do Sul, prometeram uma resposta "firme". "O Japão pedirá uma reunião de urgência do Conselho de Segurança para discutir essa questão", indicou na quinta-feira o embaixador japonês na ONU, Yukio Takasu.

O governo japonês, que deslocou baterias de mísseis antimísseis para Tóquio e imediações, prometeu abater qualquer artefato que ameace seu território.

Pyongyang respondeu que consideraria uma interceptação um "ato de guerra" e que novas sanções da ONU seriam entendidas como "um ato hostil", levando ao fim das negociações para sua desnuclearização.

Satélite ou teste de míssil, será difícil determinar de imediato a natureza do artefato, pois as duas operações se baseiam na mesma tecnologia.

Os vizinhos de Pyongyang temem uma reedição do verão de 1998 quando o regime lançou, em vez de um satélite, um míssil de longo alcance Taepodong-1 que sobrevoou parte do Japão antes de cair no Pacífico.

O Norte provocou uma nova crise internacional disparando no dia 4 de julho de 2006 -- dia da independência americana -- sete mísseis, sendo um Taepodong-2. Este explodiu 40 segundos após o lançamento.

O Conselho de Segurança da ONU adotou por unanimidade, no dia 15 de julho de 2006, uma resolução condenando o Norte.

Potência nuclear desde 9 de outubro de 2006, a Coreia do Norte está envolvida há seis anos em complicadas negociações de seis países (duas Coreias, Estados Unidos, Japão, China e Rússia) com o objetivo de convencer o regime comunista a desmantelar suas instalações atômicas em troca de uma ajuda econômica e de garantias de segurança. As discussões estão estagnadas há vários meses devido a divergências em torno das modalidades de verificação do desmantelamento.

Um lançamento bem sucedido contribuiria também para reforçar o regime depois dos rumores de que seu número um, Kim Jong-Il, teria sido vítima de um acidente vascular cerebral em meados de agosto de 2008.

lim/dm

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