Obama admite que promessas demorarão mais que o previsto para serem cumpridas

Washington, 11 jan (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu que suas promessas eleitorais, entre elas o fechamento da prisão de Guantánamo, tomarão mais tempo do que previu e que sua prioridade agora é a aprovação de um plano de reativação econômica.

EFE |

Ele afirmou isto em uma longa entrevista transmitida pela rede de TV "ABC", nove dias antes de sua posse como presidente dos EUA.

Após sua posse, no dia 20 de janeiro, Obama tomará o controle do Governo em um momento no qual os EUA enfrentam dois conflitos abertos, uma nova escalada de violência no Oriente Médio, um déficit de mais de um US$ 1 trilhão e uma crise econômica que, em suas palavras, é muito "grave".

"Estou concentrado em uma tarefa muito pesada, que é garantir que iniciamos um pacote de investimento e recuperação" da economia, declarou Obama na entrevista pré-gravada no sábado.

"Aqui quero ser realista: não poderemos fazer tudo o que falamos durante a campanha com o ritmo que tínhamos esperado", admitiu o próximo líder americano.

Neste sentido, Obama disse que seu Governo poderá corrigir o desenvolvimento da economia americana, que perdeu 2,6 milhões de empregos em 2008, "mas demorará algum tempo, não acontecerá da noite para o dia".

Trata-se, continuou, da pior recessão desde a Grande Depressão da década de 1930.

Diante da magnitude da crise econômica, afirmou que ele e sua equipe promovem um plano de estímulo pensado para a criação ou preservação de três milhões de empregos, e um reinvestimento para "alguns dos problemas estruturais" da economia.

Além disso, Obama destacou a urgência de iniciar uma reforma de saúde, mais investimentos na infra-estrutura nacional e na tecnologia da informação, a reforma educacional e a reforma de programas sociais como a Seguridade Social e um programa de assistência médica para idosos e aposentados.

Obama apoiou a idéia da presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, de que o Congresso tenha que aprovar o plano de estímulo o mais tardar no feriado do "Dia dos Presidentes", em 16 de fevereiro.

"Quanto mais cedo iniciarmos um pacote de recuperação e de reinvestimento, mais cedo podemos corrigir (o rumo de) a economia", declarou.

"Não podemos esperar três, quatro, cinco, seis ou mais meses em um momento no qual estamos perdendo meio milhão de empregos por mês", declarou Obama, que afirmou que, segundo cálculos atuais, a economia poderia perder outros quatro milhões de empregos em 2009.

O próximo presidente dos EUA afirmou que, diante da quantidade e magnitude de desafios que o país enfrenta, sobretudo no plano econômico, "todos terão que fazer sacrifícios".

Obama, que salvo no terreno econômico, disse que presidente só há um, não quis fazer comentários sobre assuntos de política externa, em especial a ofensiva israelense em Gaza.

"O que estou fazendo agora é juntar uma equipe para que no dia 20 de janeiro, começando desde o primeiro dia, tenhamos as melhores pessoas possíveis se envolvendo totalmente em todo o processo de paz do Oriente Médio" e com todos os seus atores políticos, declarou Obama.

Por outro lado, disse que o Irã será um de seus "maiores desafios", pois não só está "exportando terrorismo" através do Hamas e do Hisbolá, mas também está perseguindo uma arma nuclear que poderia "criar uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio".

Reiterou a postura que adotou durante a disputa de que, no que se refere à política externa, os EUA devem enfatizar o "respeito" e a vontade para dialogar, inclusive com adversários.

Perguntado sobre se ordenará o fechamento da prisão de Guantánamo (Cuba) nos primeiros 100 dias de seu Governo, Obama afirmou que cumprir este prazo "é mais difícil" do que acreditam "as pessoas".

Obama expressou confiança de que alcançará o fechamento de Guantánamo, apesar de reconhecer que o enorme desafio sobre o que fazer com os estrangeiros detidos ali é equilibrar a necessidade de atuar com apego à lei sem colocar em liberdade pessoas que depois cometam atos terroristas contra os EUA.

"Não quero ser ambíguo com isto. Fecharemos Guantánamo e nos asseguraremos de que iniciamos procedimentos com acato à Constituição", concluiu Obama. EFE mp/fal

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