O presidente americano, Barack Obama, insistiu nesta sexta-feira que a Europa não deve deixar os Estados Unidos sozinhos na luta antiterrorista no Afeganistão, mas também admitiu o erro cometido por seu país em não reconhecer a importância da liderança europeia no mundo, em coletiva de imprensa após um encontro com seu colega francês Nicolas Sarkozy no antigo palácio episcopal de Rohan, pouco antes do início da cúpula pelos 60 anos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Para recordar a seus aliados a importância do conflito no Afeganistão, Obama insistiu que os europeus devem assumir mais responsabilidades na luta antiterrorista.

"A Europa não deve esperar que os Estados Unidos carreguem este fardo sozinhos", declarou. "Porque este é um problema que diz respeito a todos nós. E é necessário um esforço conjunto", acrescentou, referindo-se aos talibãs e seus aliados da Al-Qaeda.

Obama também afirmou que a rede Al-Qaeda representa uma ameaça mais perigosa para a Europa do que para os Estados Unidos.

Levando em conta a proximidade de suas bases no Afeganistão e Paquistão, "é mais provável que a Al-Qaeda lance um ataque terrorista na Europa do que nos Estados Unidos", afirmou.

"A França compreende que a Al-Qaeda operando em santuários que podem ser utilizados para ataques terroristas representa uma ameaça não apenas para os Estados Unidos, como também para a Europa".

Obama comentou ainda que foi a desconfiança que levou a aliança entre os Estados Unidos e a Europa à deriva.

"Temos que ser honestos conosco mesmo", afirmou Obama, em declarações que demonstram uma nova vontade de aproximação entre os Estados Unidos e a Europa, depois das tensões vividas durante o mandato de seu antecessor, o republicano George W. Bush. "Nos últimos anos, deixamos que nossa aliança ficasse à deriva".

"Sei que houve desacordos honestos sobre políticas, mas também sabemos que houve algo mais que afetou nossas relações", afirmou ainda.

"Nos Estados Unidos, há uma falha na hora de apreciar o papel de liderança da Europa no mundo. Ao invés de celebrar sua dinâmica união e buscar uma associação com vocês para fazer frente aos desafios comuns, houve momentos em que os Estados Unidos se mostraram arrogantes", declarou.

Mas, assegurou, na Europa também há "um antiamericanismo que é fortuito, apesar de também poder ser insidioso".

"Queremos aliados fortes. Gostaríamos de ver a Europa com uma capacidade de defesa robusta", afirmou Obama, que ainda saudou a liderança corajosa de seu colega francês na Otan.

"Agradeço à grande liderança do presidente Sarkozy, corajoso em tantas frentes".

"A energia que ele trouxe para as Relações Internacionais é algo benéfico a todos nós".

Sarkozy, por sua vez, afirmou que seu país vai receber um preso da base de Guantánamo, que Washington pretende fechar nos próximos meses.

Indagado a respeito, Sarkozy respondeu: "A França só tem uma palavra. Sim, falamos do assunto. Sim, chegamos a um acordo e, sim, é lógico e coerente acolher um preso de Guantánamo", afirmou.

Obama anunciou em janeiro, ao assumir a presidência dos Estados Unidos, que a base de Guantánamo em Cuba, aberta por seu antecessor George W. Bush por motivo da luta contra o terrorismo, seria fechada até janeiro de 2010.

O presidente americano participa em Estrasburgo em uma cúpula pelos 60 anos da Otan, na qual buscará o apoio de seus sócios europeus para os novos planos dos Estados Unidos para o Afeganistão.

A Grã-Bretanha informou que vai oferecer o envio de mais tropas ao Afeganistão para garantir a segurança durante as eleições presidenciais de agosto nesse país, segundo uma porta-voz do ministro britânico Gordon Brown.

"O primeiro-ministro está pronto para pedir um aumento das tropas de modo temporário para contribuir com a seguranca das eleições presidencias afegãs", declarou a porta-voz, acrescentando que esta proposta está condicionada a um acordo conjunto dos aliados sobre a divisão das tarefas no Afeganistão, o que vai ser discutido na cúpula da Otan em Estrasburgo.

afp/cn

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