Obama admite atraso no fechamento de Guantánamo

O presidente americano, Barack Obama, admitiu, pela primeira vez, que não vai conseguir cumprir o prazo para o fechamento do centro de detenção de Guantánamo, em Cuba, previsto para janeiro do ano que vem. A declaração de Obama foi feita em entrevistas gravadas com redes de TV americanas durante sua visita à Ásia nesta semana.

BBC Brasil |

O presidente disse que não está decepcionado com o fato de o prazo não ser cumprido, acrescentando que "sabia que seria difícil".

"É compreensível que as pessoas fiquem receosas após passarem tantos anos ouvindo que Guantánamo não consegue conter os terroristas", disse ele em entrevista ao canal de TV Fox News Channel.

Mas fechar a prisão depende da aprovação do Congresso em Washington e "é também tecnicamente difícil", acrescentou.

Destino dos detentos
Guantánamo se tornou, durante o governo de antecessor de Obama, George W. Bush (2001-2008), a prisão para onde foram levados estrangeiros acusados pelas autoridades americanas de terrorismo na chamada "guerra contra o terror".

Entretanto, o uso centro de detenção para esse fim se tornou foco de críticas de defensores de direitos humanos, que alegam que os detentos em Guantánamo foram submetidos a torturas.

A decisão de fechar Guantánamo foi uma das primeiras tomadas por Obama após a posse. Em 22 de janeiro, apenas dois dias após assumir a Casa Branca, o presidente assinou uma ordem executiva determinando a medida.

As autoridades americanas agora procuram definir o futuro de 215 suspeitos de terrorismo ainda mantidos no centro de detenção.

As dúvidas sobre o que fazer com aqueles considerados perigosos, mas que, por razões legais, não podem ser julgados em tribunais americanos, já indicavam que seria difícil fechar o local na data estipulada pelo presidente.

Obama não especificou uma nova data, mas disse acreditar que a prisão estará desativada ainda em 2010.

O governo americano já anunciou que pretende julgar alguns presos em tribunais americanos e repatriar aqueles que não são considerados ameaça.

Na semana passada, o secretário de Justiça americano, Eric Holder, anunciou que o suposto mentor dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e outros quatro acusados serão julgados em Nova York.

Afeganistão
Ainda em entrevistas concedidas durante sua viagem à Ásia, Obama disse que "muito em breve" vai decidir se enviará mais tropas americanas ao Afeganistão.

O comandante militar americano no país, general Stanley McChrystal, pediu ao presidente que envie pelo menos mais 40 mil soldados.

Obama prometeu esclarecer ao povo americano as razões por trás da nova estratégia que anunciar em breve para o país asiático.

"Os americanos terão muita clareza sobre o que estamos fazendo, como vamos vencer, quanto vai custar, o peso que terá sobre homens e mulheres fardadas e, mais importante, como será o 'final do jogo'", disse o presidente.

Ele acrescentou que não quer que seu sucessor na Presidência herde o conflito no Afeganistão, argumentando que uma ocupação de tantos anos não serve aos interesses dos Estados Unidos.

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