Obama acusa Irã de enriquecimento nuclear secreto

Por Matt Spetalnick e Mark Heinrich PITTSBURGH/VIENA (Reuters) - O presidente norte-americano, Barack Obama, e outros líderes ocidentais acusaram o Irã nesta sexta-feira de construir uma usina secreta de enriquecimento de urânio e exigiram que Teerã interrompa imediatamente o que qualificaram como um desafio direto à comunidade internacional.

Reuters |

Obama veio a público com a acusação numa aparição conjunta com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, numa cúpula do Grupo dos 20 em Pittsburgh, aumentando o impasse com o Irã em torno de seu contestado programa nuclear.

"É hora de o Irã agir imediatamente para restaurar a confiança da comunidade internacional, cumprindo suas obrigações internacionais", disse Obama, acrescentando que Teerã vem construindo a usina em segredo há anos.

A agência de fiscalização nuclear a ONU disse na manhã de sexta-feira que o Irã tinha lhe informado sobre uma segunda usina de enriquecimento de urânio que está em construção. A revelação tardia certamente vai intensificar os temores ocidentais quanto à possibilidade de o Irã tentar produzir armas nucleares.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o Irã -- que insiste que seu programa nuclear tem finalidades pacíficas de geração de eletricidade -- revelou a existência da usina a seu diretor-geral, Mohamed El Baradei, na segunda-feira.

Obama acusou o Irã de "desobedecer regras que todos os países precisam obedecer" e pediu que inspetores internacionais "investiguem imediatamente essa informação preocupante."

A revelação, que estende o histórico de Teerã de ocultar planos nucleares delicados dos inspetores de não proliferação da ONU, confere mais munição aos ocidentais para que se estude a adoção de sanções mais pesadas da ONU contra o Irã antes das conversações com seis potências mundiais, marcadas para 1o de outubro.

Sarkozy disse que o Irã está levando a comunidade internacional por um caminho "perigoso" e ameaçou com novas sanções se os líderes iranianos não mudarem de rumo até dezembro. Gordon Brown disse que a atitude desafiadora do Irã vai reforçar a determinação da comunidade internacional, que precisa agora mostrar a Teerã qual é o limite que não pode ser ultrapassado.

Ao mesmo tempo em que lançou uma acusação séria contra Teerã, Obama disse: "Continuamos dispostos a um engajamento sério e significativo com o Irã para tratar da questão nuclear por meio das negociações P5+1."

Desde que assumiu a Presidência dos EUA, em janeiro, Obama vem procurando um engajamento diplomático com o Irã, mas vem sendo recebido principalmente com reações de desafio.

Um funcionário dos EUA disse que acredita-se que a usina em construção foi projetada para conter cerca de 3.000 centrífugas de enriquecimento de urânio.

O Irã já está submetido a sanções da ONU por recusar-se a suspender os trabalhos de enriquecimento e negar à AIEA o acesso necessário para verificar informações da inteligência ocidental indicando que o Irã estaria direcionando suas pesquisas nucleares ao desenvolvimento de bombas nucleares, e não à geração de eletricidade.

(Reportagem adicional de William Maclean em Londres e Matt Spetalnick em Pittsburgh)

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