Obama acusa Al-Qaeda no Iêmen por tentativa de atentado em avião

Pela primeira vez, o presidente Barack Obama acusou diretamente neste sábado o braço iemenita da rede Al-Qaeda de ter armado e treinado o jovem nigeriano que tentou explodir um avião de carreira americano em um atentado suicida no dia do Natal.

AFP |

Em seu discurso semanal, Obama culpou a Al-Qaeda pela tentativa de atentado no avião da Northwest que fazia a ligação entre Amsterdã e Detroit, e afirmou que os Estados Unidos estão em guerra "contra uma rede de ódio e de violência de grande envergadura".

Sobre o suspeito nigeriano, Umar Faruk Abdulmutallab, Obama declarou: "Sabemos que ele veio do Iêmen, um país assolado por uma forte pobreza e insurreições mortais. Parece que naquele país, integrou a Al-Qaeda na península arábica, que o treinou, o equipou com os explosivos e o dirigiu para o ataque deste avião com destino à América".

O atentado frustrado foi reivindicado pela Al-Qaeda na península arábica.

Antes deste sábado, as autoridades americanas não tinham acusado publicamente a Al-Qaeda de ser a responsável pela tentativa de ataque, limitando-se a mencionar a existência de uma "aparente ligação".

O presidente, que está de férias no Havaí, passou dois dias examinando os resultados da investigação preliminar.

Abdulmutallab é acusado de ter tentado explodir o avião da Northwest com explosivos escondidos em sua cueca. O atentado fracassou graças à intervenção de passageiros.

Obama destacou que devido aos ataques passados da Al-Qaeda no Iêmen, pedira o reforço da cooperação entre as autoridades americanas e iemenitas antes mesmo da tentativa de atentado do dia do Natal. "Campos de treinamento foram bombardeados, líderes eliminados, e complôs neutralizados. Todos os envolvidos na tentativa de atentado do dia do Natal têm de estar cientes de que terão de prestar contas", afirmou o presidente neste sábado.

Respondendo às críticas dos republicanos por ter abandonado a expressão de "guerra contra o terrorismo" muito utilizada por seu predecessor George W. Bush, Obama lembrou que foi "muito claro" durante seu discurso de posse, em janeiro passado. "Naquele dia, fui muito claro ao recordar que nossa nação estava em guerra contra uma rede de ódio e de violência de grande envergadura, e que tomaríamos todas as providências necessárias para combatê-la e defender nosso país e os valores que sempre diferenciaram a América das demais nações", afirmou.

Quinta-feira, o diretor da inteligência americana, Dennis Blair, conclamou seus colaboradores a reagir, avisando que os próximos atentados "serão ainda mais difíceis de neutralizar".

"O presidente foi direto ao dizer que as falhas dos serviços de inteligência contribuíram para a escalada da ameaça. É algo difícil de ouvir. Mas recebemos a mensagem, e temos agora que avançar e reagir como uma equipe", escreveu Blair em carta a seus funcionários.

"O que me preocupa mais é antecipar e impedir os atentados mais perspicazes do futuro", acrescentou.

Durante suas férias, Obama consultou os mais altos responsáveis pela segurança nacional para reavaliar os procedimentos de segurança a bordo dos aviões.

Ele conversou com Denis McDonough, do conselho de segurança nacional, e John Brennan, seu conselheiro para a luta contra o terrorismo, informou uma fonte da Casa Branca.

Obama listará as providências a serem tomadas terça-feira em Washington.

Sexta-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu a realização de uma reunião internacional sobre o Iêmen e a luta contra o terrorismo no dia 28 de janeiro em Londres, em margem de uma conferência sobre o Afeganistão que deve reunir os líderes de 43 países.

col/yw

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