Obama acredita em maior coordenação com aliados no Afeganistão

Macarena Vidal. Washington, 25 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou hoje sua confiança em que durante a cúpula da Otan, na próxima semana, será alcançado um acordo para uma maior coordenação com os aliados na missão no Afeganistão.

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Obama se reuniu hoje por 45 minutos no Salão Oval com o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, para preparar a cúpula da Aliança Atlântica dos dias 3 e 4 de abril, em Estrasburgo (França) e Kehl (Alemanha).

Em um breve pronunciamento após o encontro, no qual não responderam a perguntas, os dois líderes abordaram assuntos como o Afeganistão, as relações com a Rússia e a cooperação na luta contra o terrorismo.

A reunião acontece num momento em que o Governo Obama se prepara para divulgar - possivelmente na sexta-feira - sua revisão estratégica da política sobre o Afeganistão, um dos assuntos que dominarão a cúpula e que é, segundo De Hoop Scheffer, "a maior prioridade operacional da Otan".

"Ainda há muitos desafios. Há muitas coisas que vão bem, mas também há muitas que não vão bem no Afeganistão", manifestou o secretário-geral da Otan.

"Acreditamos que podemos criar um processo pelo qual a Otan, que já é muito forte, se torne ainda mais forte, e no qual possamos ser ainda mais efetivos na coordenação de nossos esforços no Afeganistão", disse, por sua parte, Obama.

Durante o processo de revisão de sua estratégia para o Afeganistão, os Estados Unidos mantiveram contatos próximos com os aliados para obter seus pontos de vista e informá-los sobre suas conclusões.

Atualmente, a aliança militar mantém cerca de 55 mil soldados no Afeganistão, enquanto os EUA possuem um contingente de 36 mil militares, aos quais se somarão outros 17 mil nos próximos meses.

Washington tinha como objetivo usar a cúpula de abril para pedir um maior envolvimento dos membros da Otan no Afeganistão e um aumento de sua contribuição em número de tropas, mas até o momento encontrou pouco respaldo neste sentido.

O que Obama pode receber é a oferta dos aliados de aumentar sua participação no treinamento das forças de segurança afegãs.

O governante americano e o secretário-geral da Otan também abordaram na reunião as relações com a Rússia, às quais Washington quer dar um novo começo.

A Otan concordou em retomar seu diálogo com a Rússia, após tê-lo interrompido com a invasão da Geórgia, em agosto do ano passado.

Obama indicou que os Estados Unidos procuram um novo começo a essa relação, mas "de modo que seja consistente com a Otan" e que respeite o princípio de que os países que "desejarem fazer parte da Aliança, possam fazê-lo".

Uma das principais queixas da Rússia é a expansão da Otan em direção aos países do Leste. Durante o mandato do ex-presidente George W Bush, os EUA apoiaram a entrada de Geórgia e Ucrânia no organismo.

"Há muitas coisas em que não concordamos com a Rússia, mas a Otan precisa da Rússia e a Rússia precisa da Otan", afirmou De Hoop Scheffer.

"Vamos nos focar nas coisas nas quais estamos de acordo. Mas não vamos esconder nossas divergências, e tenho certeza de que esta relação pode e deve se fortalecer", destacou.

Os dois dirigentes falaram ainda sobre os desafios que a Otan encara no século XXI, entre eles a proliferação nuclear, o terrorismo e os Estados fracassados.

A organização, lembrou o secretário-geral, prepara um novo conceito estratégico, que abordará, entre outras coisas, as missões expedicionárias da Aliança.

O presidente americano deve começar na próxima terça-feira uma viagem pela Europa, a primeira desde sua chegada à Casa Branca, que o levará a Londres, onde participar da reunião do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes); a Praga, para assistir a uma cúpula com a União Europeia (UE), e à Turquia. EFE mv/mh

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