Obama abre retomada de negociações pela paz no Oriente Médio

Presidente americano reiterou que extremistas e rejeicionistas não serão obstáculo à solução baseada em dois Estados

iG São Paulo |

Ao abrir a retomada de negociações pela paz no Oriente Médio, o presidente americano, Barack Obama, reiterou que extremistas e rejeicionistas não irão atrapalhar a nova rodada de negociações entre israelenses e palestinos. Obama voltou a falar que o objetivo das negociações é um acordo de paz que leve à solução baseada em dois Estados - um israelense e um palestino -, e que os Estados Unidos não podem "impor" a paz ao Oriente Médio.

O presidente americano disse ter havido progressos nas reuniões individuais que manteve com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, antes das negociações diretas que os dois líderes realizarão na quinta-feira.

AFP
Obama discursou ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o enviado para Oriente Médio George Mitchell
A meta de Obama - vista por muitos com ceticismo - é em 12 meses chegar à criação de um Estado palestino que conviva em paz com Israel.

"Haverá extremistas e rejeicionistas que, em vez de buscarem a paz, estão buscando a destruição. E a tragédia que vimos ontem (terça-feira), onde pessoas foram abatidas na rua por terroristas que estão propositalmente tentando abalar esse diálogo, é um exemplo do que enfrentamos", afirmou.

Ataque em Hebron

Chamando de "massacre insensato", o assassinato de quatro colonos israelenses da Cisjordânia por militantes do grupo islâmico Hamas, na terça-feira. "A mensagem deve chegar ao Hamas e a todos os demais que estejam recebendo o crédito por esses crimes hediondos: isso não vai nos impedir não apenas de garantir um Israel seguro, mas também garantir uma paz duradoura", disse Obama a jornalistas.

Nesta quarta-feira, um novo ataque de suposta autoria palestina deixou dois israelenses que dirigiam para a Cisjordânia mortos. O carro em que estavam foi atingido por balas. De acordo com o Hamas, o  atentado de terça-feira foi o primeiro de uma série destinada a fracassar a negociação de Abbas, da facção rival Fatah, com Israel.

Assentamentos

Faltando poucos dias para terminar a moratória adotada por Israel na ampliação dos assentamentos em territórios ocupados - um dos principais temas das negociações - o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, adotou um tom conciliador a respeito da possibilidade de que palestinos e judeus compartilhem Jerusalém - questão crucial para o fim de mais de meio século de conflito. 

Nesta quarta-feira, no entanto, colonos israelenses da Cisjordânia iniciaram simbolicamente a construção de uma sala de esporte em um assentamento perto de Jerusalém, para protestar contra o atentado palestino que matou quatro israelenses. "Nossa resposta à violência é a construção", afirmou Naftali Bennett, diretor do Conselho de Yesha, organismo representativo dos colonos da Cisjordânia, durante cerimônia, no norte de Jerusalém.

Cartazes da manifestação diziam: "Eles disparam e nós construímos" e também "Terminamos com o congelamento, reiniciamos a construção", em referência à moratória governamental sobre as edificações que vai até 26 de setembro.  Os palestinos, no entanto, se negam a participar das negociações sem um congelamento das construções.

A profunda desconfiança entre os dois lados é um dos maiores obstáculos à solução com dois Estados, que antecessores de Obama tentaram sem sucesso. O fracasso das negociações pode ainda atrapalhar as tentativas de Obama de conquistar o mundo islâmico, no momento em que busca solidariedade contra o Irã.

As negociações diretas entre israelenses e palestinos terminaram a quase dois anos atrás, em dezembro de 2008, e o governo Obama gastou seus primeiros 20 meses tentando trazer os dois lados à mesa de negociação.

*Com BBC, EFE, AFP e Reuters

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