O vinagre da Carolina

A Carolina do Norte nos deu Thelonious Monk, Ava Gardner, Nina Simone, James Taylor, Ed Murrow - o jornalista que cortou as pernas do macartismo - e o irresistível churrasco de costelinha de porco à base de vinagre. É um Estado vermelhíssimo.

BBC Brasil |

Aqui, desde 76, com Jimmy Carter, um democrata não ganha uma eleição presidencial.

John Edwards, o candidato a vice-presidente de John Kerry na última eleição também é daqui e, apesar dele, a dupla Kerry - Edwards levou uma surra de George W. Bush.

Vai ser quase impossível um democrata ganhar em novembro, mas quase 40% do eleitorado nesta primária é negro e em nove Estados onde a população negra é maior do que 17%, Barack Obama ganhou em todos.

No principal QG dele, em Raleigh, na rua Morgan, há umas 40 pessoas, quase todos voluntários nesta véspera da eleição nos telefones ou envelopando material de campanha.

Quase todos são negros e não havia nenhum porta-voz autorizado na tarde de segunda-feira.

Na campanha de Barack Obama há um controle rígido de quem fala com a imprensa.

Marianne, uma voluntária do senador desde a campanha do Texas, não conhece esta regra.

Ela está encarregada da venda de camisetas e pôsteres (US$ 10 cada) e bandeiras para carros a US$ 15.

Ela veio da Libéria em 85, mora na Flórida e não resistiu ao apelo de Barack Obama.

Da venda do material de propaganda, ela fica com 25% para pagar suas despesas e doa o resto para a campanha, mas oferece descontos generosos.

No gigantgesco comício da Filadélfia, num momento delirante, ela distribuiu todos os pôsteres sem cobrar.

Marianne acha que generosidade faz parte da campanha "positiva" do senador. "Ele se defende, mas nunca ataca os outros", diz ela.

Na sede da campanha de Hillary, há maior receptividade à imprensa e um nervoso otimismo.

Nas pesquisas, Barack Obama lidera na Carolina do Norte com média de 8 pontos. Esta é a boa notícia. A má é que ele já liderou por 25.

Hillary Clinton ganha terreno com a ajuda de políticos do Estado, da filha Chelsea e do marido Bill Clinton, que foi despachado para os cafundós do Estado.

Ele sai antes das sete da manhã e visita pelos menos sete cidades num raio de 300 quilômetros, onde fala para pequenos grupos que nunca viram um presidente ou ex-presidente ao vivo. E ficam encantados com o trololó de Bill, que parou de criticar o senador Obama e evita comentários polêmicos.

"O velho Bill está de volta", anunciou o New York Times.

Na Pensilvânia, o ex-presidente fez uma campanha semelhante, e a mulher ganhou em 60% das cidades que ele visitou, mas "vencer aqui vai ser difícil", nos diz Jim Morrill, um dos principais colunistas políticos do Estado.

A meta é reduzir a vitória do senador à margem mais baixa possível. E cantar vitória.

Se ela conseguir ganhar nos dois Estados, um quase milagre - na Indiana ela lidera as pesquisas com quatro pontos - será capaz de desnortear a campanha do senador.

Rhodes Cook, autor do Race for Presidency - winning the 2008 nomination, acha que Hillary Clinton ainda pode ganhar no voto popular mesmo sem incluir os votos da Flórida e de Michigan.

"O importante" diz ele, "será vencer os Estados onde é favorita, como Kentucky e West Virginia, por grandes margens, e perder por pouco em Montana, Oregon, Dakota do Sul e na Carolina do Norte, Estados onde ele é o favorito".

Com maioria no voto popular, Hillary teria argumentos para convencer os superdelegados que ela é o Al Gore de 2000 e Barack Obama é George Bush, mas como convencer os amargos eleitores de Barack Obama a votar nela em novembro?
Só o senador teria este poder.

Uma das fórmulas discutidas neste momento é o vencedor oferecer ao vencido a vice-presidência. Mesmo recusada, tiraria o vinagre da campanha.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG