Comícios em massa, conselhos tribais, polêmicas discussões de bastidores, troca de mensagens pelo Twitter ou Facebook: os candidatos à eleição presidencial de 20 de agosto estão dispostos a tudo para assumir as rédeas do Afeganistão.

Conquistar os eleitores não é nada fácil em um país destruído por mais de 30 anos de guerra, em parte ensanguentado pela rebelião, 80% rural e com dois terços da população de analfabetos.

Nos troncos das árvores, nos muros das cidades e nas casas de barro seco da zona rural, os 41 candidatos colaram inúmeros cartazes nos últimos meses para disputar a segunda eleição presidencial de sua história.

O presidente atual, Hamid Karzaï, é o favorito na briga, oito anos após assumir o poder graças à intervenção da coalizão internacional liderada pelos EUA, e cinco anos após sua eleição no primeiro turno em 2004.

O ex-ministro dos Assuntos Estrangeiros Abdullah Abdullah se afirmou como seu principal concorrente, indo de cidade em cidade, de vilarejo em vilarejo.

Em algumas ocasiões vestido como os ocidentais, este oftalmologista usa diante das multidões uma retórica conservadora com pinceladas de recordação da jihad contra os soviéticos e frases do "herói" da resistência, Ahmad Shah Massoud.

Diversas vezes vítima de tentativas de assassinato, Karzai não fez a campanha tradicional de vilarejo em vilarejo, com apenas dois comícios recentemente. Seus adversários não perderam a oportunidade de dizer que ele não comparece em público pelo saldo negativo de seu governo.

Mas em um país de alianças tribais e de divisões étnicas, inúmeros especialistas consideram que seus acordos com os homens fortes locais devem lhe garantir a vitória.

Karzai se assegurou o apoio do senhor de guerra Abdul Rashid Dostam, líder da minoria uzbeque, e de Mohammad Mohaqiq, seu colega hazara.

Karzai é um pashtun, etnia dominante, mas sua escolha para a vice-presidência, se for reeleito, é o chefe de guerra controvertido Mohammad Qasim Fahim, que também vai lhe garantir votos da importante comunidade tadjique.

"Ele sabe que no final os votos individuais não contarão, os eleitores farão o que seus líderes mandarem", explicou o analista político afegão Haroun Mir.

Estes acordos foram criticados pelas organizações de defesa dos direitos do Homem, que acusam inúmeros destes chefes de guerra de ter sangue nas mãos após três décadas de conflito.

Enquanto Abdullah traça a rota e Karzai fomenta seu próximo golpe de pôquer político, outros candidatos investem na internet, via Facebook ou Twitter, como o ex-ministro das Finanças, Ashraf Ghani, que se inspirou na tática do presidente americano Barack Obama.

Os principais candidatos se apoiam muito em uma campanha oral, pela televisão e a rádio, pelos inúmeros canais e estações que surgiram nos últimos anos.

O mês passado, o presidente Karzai se recusou a participar do debate eleitoral televisivo da história do Afeganistão, deixando Abdullah e Ghani apresentarem seus programas de campanha de frente para uma cadeira vazia.

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