O uso civil ou militar do urânio enriquecido

O enriquecimento de urânio por parte do Irã permite a produção de combustível civil para alimentar uma central nuclear, ou material físsil para fabricar uma bomba atômica.

AFP |

O Irã extrai urânio de seu próprio território. Presente em vários minerais, ele é um elemento radioativo natural que dispõe de dois isótopos, o U-238 e o U-235. O 235, único interessante tanto para as centrais quanto para a fabricação de uma bomba, é encontrado em porção muito pequena (0,7%) para que o mineral tenha esse uso. Por isso, é necessário enriquecê-lo, para alcançar taxas no isótopo 235 entre 4% e 5% para o uso civil, e de mais de 90% para a utilização militar.

No caso do Irã, o enriquecimento é feito por centrifugação. Em um primeiro momento, o urânio bruto, ou "yellowcake", deve ser convertido em hexafluoreto de urânio (UF6), que é o gás utilizado nas centrífugas destinadas a produzir urânio enriquecido.

No fim de 2004, quando Teerã já havia suspendido as operações de enriquecimento, os iranianos fabricaram duas toneladas de UF6 a partir de 37 toneladas de "yellowcake", informou então o diretor-geral da Organização Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei.

Segundo um oficial deste órgão, que responde às Nações Unidas, essa cifra representava 15% do volume necessário para produzir a quantidade de urânio suficiente para fabricar uma bomba atômica.

As usinas de enriquecimento de urânio que empregam este procedimento utilizam milhares de centrifugadoras.

Segundo o Instituto Americano Internacional para a Ciência e a Segurança Internacional (ISIS), uma instalação com 1.500 centrifugadoras é suficiente para produzir, em um ano, urânio militar, ou seja, altamente enriquecido, que é o necessário para fabricar uma única bomba atômica.

gcv/lb/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG