Eu não discuto com a ciência ou com mulher bunduda. Uma e outra tem razões que a própria razão desconhece, se me permitem me coçar lá embaixo e dar uma filosofada, assim como quem pega jacaré em marola.

Agora, vem a primeira (a ciência) e me garante aquilo que eu sempre sabia: que a segunda (a bunduda) é formidável. Vemos, no entanto, eu e a ciência, a coisa por vieses diferentes.

A ciência, que não passa um dia sem surgir com uma besteira como novidade, passou a garantir que um bom traseiro (ciência chama bunda de "traseiro") é sintomático de boa saúde. As bundudas, e, no caso, os bundudos também, correm menos risco de doenças. Os bundões, digamos logo para encurtar a história.

A ciência é vaga. Que doenças? Especificam ao mínimo. Do resfriado ao mieloma duplo? Já veremos.

O importante, segundo a ciência, é acumular, na região posterior do corpo - adoto momentaneamente uma linguagem que faço votos que soe algo sobre o científico -, um bom depósito de gordura. A ciência, com todo seu cientificismo, não menciona a cintura de vespa que, de preferência, deve encimar o bundão (perdão, leitores) em pauta. É pauta no bundão, como diria aquele humorista de baixo calão, além de malsão.

A ciência esclarece então porque o bundão é sinal de saúde. Nada disso que até agora vínhamos, por instinto, achando, examinando, considerando, levando para casa as imagens guardadas na retina. A ciência explica que a gordura subcutânea (no bom e sério sentido, claro), ao que parece, protege os dotados de bundões das doenças cardíacas e da diabete.

A ciência é um animal que se alimenta de "ao que parece". A ciência e os cientistas, em matéria de clareza na prática e exposição de sua disciplina, são uns tremendos bundões. No pior sentido possível.

A ciência vai então e afirma que as pessoas de bunda seca (feito a Josefina da Fonseca, aquela da perna fina, lembram-se?) acumulam suas gorduras em torno de seus estômagos. A ciência garante tratar-se de uma barriga "daquelas". Daquelas que fazem seus donos e guardiães correrem mais risco de ficarem doentes.

Vaga, sempre vaga, essa tal de ciência. A ciência é um "bundão", na expressão chula dos chulos (chulos mas bundudos no melhor dos sentidos).

Tudo isso, fiquei sabendo por que fui me meter a ler uma publicação especializada, uma vez que a ficção e a poesia andam de uma pobreza terrível, ambas beirando o propalado "bundão" em seu sentido mais pejorativo.

A nacionalidade da publicação é americana, como sói acontecer nesses casos. Seu nome? Cell Metabolism, uma revista especializada que dispensa apresentações e traduções.

Um pequeno detalhe que os bundões da revista guardam para o fim: todas as experiências feitas, e que os levaram a chegar às conclusões acima bundativamente resumidas, foram feitas com ratos.

A ciência deu um jeito de criar uma espécie de ratos excepcionalmente bundudos, sujeitando-os, assim, às galhofas de seus semelhantes de rabito roedor normal. Rato, além de um nível baixo de humor, sabemos, ri à-toa.

Rato acha graça em tudo quanto é bobagem. Rato aponta para um rato bundudo, cutuca o rato do lado, e ficam os dois lá rindo feito uns idiotas. Enquanto os bundões da ciência, seríssimos, observam e tomam notas.

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