O trajeto do vírus da gripe mexicana no organismo

O vírus da gripe mexicana, como todos os vírus de gripe, entra no corpo pelas vias aéreas superiores de onde se junta às células que infecta, aproveitando-se delas para se multiplicar.

AFP |

Há três tipos de vírus da gripe, os tipos A, B e C, com o vírus do tipo C causando apenas problemas repiratórios leves.

Os vírus A e B podem possuir dois tipos de proteínas de superfície: a hemaglutinina e a neuraminidase, sob forma de espículas que ativam seu envólucro. O vírus H1N1 (hemaglutinina do tipo 1 e neuraminidase do tipo 1) no início da epidemia de gripe "mexicana" fez parte do tipo A, divisível em diversos subtipos e em variáveis dentros desses subtipos.

Os vírus do tipo A e B são constituídos de oito segmentos de RNA (ácido ribonucleico, seu material genético) que se misturam, de acordo com a explicação da virologista Sylvie van der Werf. Eles podem então sofrer mudanças maiores e mutar radicalmente.

O porco é receptivo a diferentes formas de vírus, que podem se recombinar e provocar a criação de um vírus múltiplo. Este é caso do H1N1 atual, que mistura duas cepas suínas, uma cepa aviária e uma humana, e é transmissível para o homem.

Pior: o vírus utiliza o homem como vetor da doença, que passa a ser transmitida de homem para homem.

Quando ele infecta o homem, o vírus da gripe se fixa nas células respiratórias e atravessa o epitélio, uma espécie de camada protetora na superfície das células.

Para se multiplicar, ele reprograma a célula e a desvia de sua atividade em seu benefício. Cada célula infectada pode então produzir várias centenas de vírus, que tomam conta do sistema respiratório.

A duração da incubação da gripe mexicana é de 3 a 7 dias, ou mais entre as crianças. Os sintomas são semelhantes aos das outras gripes: febre forte, dores musculares, tremores, tosses etc.

O vírus é muito contagioso, sendo transmitido por meio das pequenas gotas de água expelidas na respiração, nas tosses ou quando se assoa o nariz. Para conter uma epidemia, os cientistas recomendam isolar a pessoa e administrar antivirais.

Não se sabe ao certo a resposta do organismo a este novo vírus. Para o virologista britânico John Oxford (Londres), "se não vimos este vírus, ficamos expostos a outros membros de sua família H1N1, desde 1978". Haveria também um pouco de memória imunológica contra este agente entre os humanos, ao contrário do vírus aviário H5N1, totalmente novo para o organismo, segundo esse especialista.

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