O todo-poderoso chefe da inteligência militar é demitido na Rússia

O chefe da inteligência militar russa (GRU), um dos mais poderosos serviços secretos do país, foi demitido nesta sexta-feira pelo presidente Dmitri Medvedev depois de ter se oposto a uma reforma do exército prevendo importantes reduções de efetivos.

AFP |

O general Valentin Korabelnikov foi demitido do cargo e expulso da corporação, diz um decreto presidencial, sem dar mais detalhes.

O general Alexander Shliakhturov assumiu o comando no GRU no lugar de Korabelnikov, destaca o texto.

"O general Korabelnikov apresentou a renúncia por escrito porque atingiu a idade máxima permitida para servir no Exército. Seu pedido foi aceito", comentou Alexander Drobyshevski, porta-voz do ministério russo da Defesa.

No comando do Gru desde 1997, o general Korabelnikov tem 63 anos. Na Rússia, os chefes militares costumam servir até os 60 anos.

No entanto, segundo uma fonte do GRU citada pela agência Ria Novosti, o general Korabelnikov apresentou a demissão por escrito para protestar contra o desmantelamento de brigadas que considera muito eficientes.

A supressão da 67ª brigada do GRU de Berdsk, na região de Novossibirsk, na Sibéria, provocou manifestações inéditas em março, com membros desta unidade de elite indo às ruas para exigir o afastamento do ministro da Defesa.

"A reforma à qual era oposto Korabelnikov aconteceu. As decisões sobre sua saída e a redução dos efetivos foram tomadas ao mesmo tempo, mas a demissão foi adiada para que as duas coisas não pareçam interligadas", comentou Andrei Soldatov, redator-chefe do jornal internet agentura.ru, dedicado aos serviços secretos russos.

As divergências entre o líder do GRU e o ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, "chegaram a seu paroxismo, o que explica este desfecho", explicou o deputado Mikhail Babich, da comissão de Defesa, citado pela agência Interfax.

"Korabelnikov era um dos generais mais considerados por Vladimir Putin", ex-presidente que assumiu o cargo de primeiro-ministro em maio de 2008, observou o analista militar independente Alexander Golts.

De acordo com a imprensa russa, Putin elogiou os sucessos registrados pelo GRU durante o segundo conflito entre a Rússia e a Chechênia, lançado em 1999, e no Kosovo.

Entretanto, a decisão de afastar Korabelnikov não significa que haja dissensões entre Putin e o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. Para Golts, a decisão foi tomada em comum acordo.

or/yw/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG