O sonho de Martin Luther King ainda vive 40 anos depois de sua morte

Os Estados Unidos lembram nesta sexta-feira, dia 4 de abril, os 40 anos do assassinato de Martin Luther King, o primeiro candidato negro viável ao principal cargo da Casa Branca e que lutava pelo sonho de ver implentado amplos direitos civis.

AFP |

Em 1968 Martin Luther King Jr. foi assassinado com um único tiro na cabeça na sacada de um hotel no centro de Memphis, ao sul do estado do Tennessee.

O ativista recebeu o Prêmio Nobel da Paz aos 39 anos de idade e, se fosse vivo hoje, teria comemorado seus 79 anos em janeiro passado.

Um mistério envolve o assassinato de Luther King. Inicialmente, James Earl Ray assumiu sozinho a autoria do crime. Preso, ele acabou sentenciado a uma pena de 99 anos de prisão. Depois, passou a negar o assassinato, mas discussões sobre a versão oficial da morte garantem que Ray era o culpado e atuou sozinho.

No entanto, muitos não acreditam que Ray, que estava preso, tenha fugido de uma prisão no Missouri, planejado o assassinato e burlado a segurança de King.

Ao morrer Martin Luther King se tornou um mártir na luta pelos direitos civis, e durante a vida foi um herói carismático, famoso por liderar protestos pacíficos contra a segregação e discriminação, como em 1965 promoveu o boicote a um ônibus no Alabama, e por seu conhecido discurso "Eu tenho um sonho", em Washington em 1963.

"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais", disse King para aproximadamente 250 mil pessoas no Memorial Lincoln na capital americana."

"Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter".

Quatro palavras - "Eu tenho um sonho" - ecoadas ao longo do discurso que ficaram marcadas como o símbolo da luta pela igualdade racial nos Estados Unidos.

Hoje, 40 anos depois, o pré-candidato democrata Barack Obama está usando esse conceito em sua campanha.

O senador de Illinois, o único afro-americano no Senado, abordou o preconceito racial na América durante discurso na Filadélfia similar ao de King.

O que foi dito por Obama foi "o discurso mais importante sobre a questão da raça e do futuro deste país desde que Dr. King discurso 'Eu tenho um sonho'", disse Chaka Fattah, um congressista negro da Pensilvânia. Muitos outros comentaristas também ovacionaram o discurso de Obama.

De acordo com pesquisa feita pela rede de televisão CBS, 69% dos americanos aprovaram o discurso do senador de Ilinois, no qual ele clamou pelo fim da questão "racial" no país.

Obama também falou sobre o "ódio" aos negros e do "ressentimento" dos brancos.

"Nunca fui inocente o bastante para acreditar que uma eleição poderia acabar com o preconceito racial", afirmou Obama.

"Mas tenho convicção que unidos poderemos progredir nessa questão".

O discurso de King foi considerado por 52% dos americanos uma "grande influência" aos direitos civis - desses, 75% eram negros e 47% brancos - 39% de negros acharam que o país ainda tinha "muito a fazer" para alcançar a igualdade racial, de acordo com uma pesquisa com 1,012 participantes.

Por todo o país, cerimônias religiosas e conferências universitárias vão relembrar o legado de King, inclusive em evento em uma universidade do Tennessee, com a participação da ativista negra Angela Davis que fará um discurso intitulado "Nós agora não estamos vivendo o sonho" de Martin Luther King.

vmt-mlm/cl

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