O rei Gyanendra do Nepal pode ser obrigado a abdicar

O rei Gyanendra do Nepal pode ver-se obrigado a abdicar após a escolha da nova Assembléia Constituinte na próxima quinta-feira, em um país fiel à monarquia, mas que odeia este autocrata coroado em 2001 logo depois do misterioso assassinato da família real. Durante os últimos dois anos, o riquíssimo rei Gyanendra, de 60 anos, perdeu seus poderes e suas prerrogativas têm sido suprimidas umas atrás das outras, incluindo suas funções como chefe de Estado e das Forças Armadas.

AFP |

O monarca vive recluso em seu palácio em Katmandu, que foi nacionalizado, como a maioria de seus bens imobiliários. O novo hino nacional não faz nenhuma referência ao rei, e sua efígie desapareceu das moedas e dos edifícios oficiais.

Este soberano autoritário, encurralado pela revolta democrática em abril de 2006, já se viu obrigado a renunciar a seus poderes absolutos que haviam sido atribuídos a ele em janeiro de 2005 para, segundo ele, reprimir a insurreição maoísta.

Os guerrilheiros maoístas, que iniciaram uma guerra entre 1996 e 2006 para derrotar a monarquia, estão prestes a conseguir constitucionalmente que o país se torne uma República, depois de terem entrado para o governo e feito um acordo de paz em novembro de 2006.

Gyanendra é um grande perdedor desse acordo, concluído em dezembro, entre os partidos políticos e os maoístas que estipula que a Assembléia Constituinte eleita no próximo dia 10 de abril acabe com a monarquia e proclame uma República.

Prachanda, o chefe da ex-guerrilha de extrema esquerda, que pretende se eleger presidente nas próximas eleições, garante que "no Nepal não há espaço para nenhum tipo de monarquia".

Ao decretar "o fim do sistema feudal" da única monarquia hinduísta no mundo, o ex-líder revolucionário autorizou o herdeiro da dinastia real dos Shah, que data 239 anos, a permanecer no Nepal como "um cidadão comum".

Longe das elites de Katmandu, numerosos habitantes dos campos nepaleses seguem leais à monarquia, por considerarem que o rei Gyanendra é uma encarnação do Deus hindu Vishnu.

Sete anos depois do massacre da família real, que permitiu que o monarca herdasse a coroa, o país segue traumatizado por essa tragédia.

Na noite de 1 de junho de 2001, o príncipe herdeiro Dipendra, aparentemente embriagado e drogado, matou no palácio real o rei Birenda, a rainha Aishwarya e outros membros de sua família, antes de se suicidar.

Dipendra, gravemente ferido, foi proclamado rei e seu tio Gyanendra nomeado regente. No entanto, subiu ao trono logo depois que seu sobrinho faleceu.

Até hoje persistem os rumores sobre a ausência de Gyanendra na noite do crime, assim como sobre o destino de seu filho Paras, um "playboy" que estava no local, mas que escapou ileso da matança.

bur/cl/sd

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