'O prédio parecia uma geleia', diz brasileira em Tóquio

Pessoas enfrentam dificuldades para voltar para casa com a falta de transporte

Flavia Salme, iG Rio de Janeiro |

Por volta das 15h desta sexta-feira (11), a designer brasileira Patrícia Sakai Ciffone, de 35 anos, ouviu a sirene do prédio onde trabalha alertar sobre o terremoto no Japão . Imediatamente, ela e os colegas de escritório seguiram os procedimentos de segurança da empresa: “Ficamos embaixo da mesa, com nossos capacetes”, disse.

“O edifício onde trabalho é todo de vidro. Quando chegamos nas escadas, vimos uma torre balançar de um lado para o outro. Nesse momento, tremeu novamente e a gente não conseguiu mais andar, sentamos nos degraus e nos demos as mãos. O prédio parecia uma geleia”, relatou.

Patrícia trabalha na região central de Tóquio, numa área conhecida como Minaso Akasaka, onde estão localizados os prédios mais altos do país. O escritório em que atua fica no 30º andar de um deles.

Cerca de dez horas depois do terremoto, Patrícia conseguiu abrigo no lobby de um hotel, onde está com o marido. “Faz muito frio aqui e não tem transporte para voltar para casa, estamos cansados”, contou. Segundo a brasileira, a temperatura em Tóquio está na casa dos 3ºC e muitos tentam passar as horas nos bares da cidade.

“O metrô voltou a funcionar agora de madrugada, mas o meu trajeto de volta para casa passa por baixo de uma ilha. Estou com medo de atravessar a cidade de metrô e pelo mar”, disse. “Tentamos vagas em hotel, mas estão todos lotados.” Ela explica que de vez em quando a terra ainda treme, mas com intensidade fraca.

O marido de Patrícia, o empresário Hélio Ciffoni, estava na rua no momento da tragédia. Para encontrar a mulher, ele precisou caminhar por duas horas e meia até chegar ao hotel em que ela conseguiu abrigo.

'A sensação que dá é que é tudo muito frágil'

Embora receba treinamentos constantes para lidar com possíveis terremotos, a designer brasileira disse que o medo foi grande. “Nessa região em que trabalhamos, além de bem altos, os prédios contam com uma boa tecnologia antiterremoto. Mesmo assim balançou muito. A sensação que dá é de que é tudo muito frágil, as pernas ficam fracas.”

Após deixar o escritório, Patrícia tentou se comunicar com familiares. “Mas não havia meios, a rede de telefonia foi toda afetada.” A sorte, avaliou, foi ter um iPhone com acesso à internet, o que lhe permitiu trocar e-mails com parentes no Brasil. “Mas a minha mãe só se acalmou depois que ouviu a minha voz. Falei com ela no início da madrugada.” Patrícia é natural de Belém, no Pará, e seu marido, de Curitiba.

    Leia tudo sobre: japãoterremototremortsunamibrasileiros

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG