O polêmico chefe da Scotland Yard pede demissão

O polêmico chefe da Scotland Yard, Sir Ian Blair, anunciou nesta quinta-feira sua demissão, no momento em que é investigado pelo erro da Polícia Metropolitana britânica que levou à trágica morte do brasileiro Jean Charles de Menezes num metrô londrino em 2005.

AFP |

"Pedirei demissão pelo interesse dos londrinos e da Polícia Metropolitana", declarou, explicando não ter mais o apoio do novo prefeito de Londres, Boris Johnson.

"Durante uma reunião, o novo prefeito deixou claro para mim, de uma forma agradável, mas determinada, que desejava uma mudança à frente da polícia", declarou. "Sem o apoio do prefeito, considero que não posso mais prosseguir meu trabalho".

O primeiro-ministro Gordon Brown o agradeceu por seus serviços, ressaltando sua "importante contribuição pessoal à segurança do país, no comando dos esforços da polícia nacional contra o terrorismo e a luta contra a criminalidade".

Já Boris Johnson afirmou que a saída de Blair daria a "oportunidade de uma ruptura franca e de um novo começo para a manutenção da ordem em Londres", considerando que "em toda organização chega o tempo de uma nova direção". E acrescentou: "Tenho o maior respeito por Sir Ian".

Blair chegou ao comando da Scotland Yard em fevereiro de 2005, 31 anos depois de sua entrada na Polícia Metropolitana. Ele disse nesta quinta-feira que "adoraria continuar a servir os londrinos até o fim de (seu) mandato em fevereiro de 2010", porém deixará seu posto no dia 1º de dezembro.

"Não sairei por causa de falhas em meu serviço nem porque as pressões relacionadas a este posto ou a outras várias histórias que o cercam se tornaram insuportáveis", afirmou Blair.

Muitos pediram a sua cabeça devido à forma como respondeu às acusações de discriminação racial feitas por Tarique Ghaffur, mais alto graduado muçulmano da Polícia britânica.

Ghaffur, de origem paquistanesa, lançou essas acusações durante alguns meses antes de processar Blair no final de agosto.

No dia 9 de setembro, Tarique Ghaffur foi "provisoriamente afastado" de suas funções por suas declarações públicas sobre discriminação terem sido consideradas prejudiciais à "eficácia operacional" da polícia, explicou Blair.

Em outro caso, Sir Ian foi alvo de uma investigação relativa a contratos sob responsabilidade da Polícia passados a um de seus amigos. O tablóide Daily Mail informou quarta-feira que a Scotland Yard havia enviado 3 milhões de libras (3,78 milhões de euros) em seis anos para uma empresa de comunicação pertencente a uma pessoa ligada a Blair.

Para prejudicar de vez a imagem de Blair, a Polícia cometeu o grave erro que custou a vida do jovem eletricista mineiro Jean Charles de Menezes no dia seguinte ao dos atentados frustrados à rede de transportes públicos de Londres, no dia 21 de julho de 2005.

Esses ataques frustrados foram registrados duas semanas depois dos atentados que haviam deixado 56 pessoas mortas nos transportes da capital.

Os apelos a sua demissão lançados na época se intensificaram no dia 1º de novembro de 2007, quando a Scotland Yard foi considerada culpada nesse caso pelo descumprimento das regras de segurança e condenada a pagar 560.000 libras (700.000 euros).

Aluno da Universidade de Oxford, depois de ter passado um ano na Harvard High School de Los Angeles, Blair sonhava em ser ator. Mas em 1974, não foi um figurino de teatro que vestiu, e sim um uniforme da Polícia londrina.

elm/dm

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