O Papa Bento XVI, que inicia nesta terça-feira sua primeira viagem à África, descobrirá as grandes contradições do continente, entre elas a pobreza, a violência e a corrupção, ante as quais a Igreja Católica se oferece como mediadora social.

A justiça social é uma das grandes necessidades da África, e organizações como o Fundo Monetário Internacional temem que milhões de africanos se vejam arrastados de novo para a pobreza, a fome e os conflitos, devido à crise financeira mundial.

"O Papa fará um apelo à comunidade internacional para que se comprometa a evitar que a crise repercuta na África", advertiu o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

Outro desafio é a epidemia da Aids, com 27 milhões de infectados num total de 33 milhões em nível mundial.

A primeira viagem à África do pontífice alemão, com escalas na República dos Camarões e Angola, tem como objetivo reforçar o papel da Igreja Católica.

Bento XVI realiza uma peregrinação ao continente que registrou o maior aumento do número de fiéis em relação ao restante do mundo: o número de católicos passou de 12% da população total em 1978 a 17% em 2006.

A tendência foi confirmada em 2007 com um incremento de 3% de batizados depois da Oceania, com 4,7% e acima da Ásia (1,7%), Europa (estável) e Américas (-0,1%), segundo as estatísticas oficiais.

Domingo, durante a bênção do Angelus, o Papa Ratzinger anunciou que levará uma mensagem de paz e reconciliação ao continente.

"Com esta visita, tenho a intenção de abraçar idealmente todo o continente africano: suas mil diferenças e sua profunda alma religiosa, suas culturas antigas e seu duro caminho para o desenvolvimento e a reconciliação, seus graves problemas, suas dolorosas feridas e suas enormes potencialidades e esperanças", declarou, na Praça São Pedro.

"Penso nas vítimas da fome, das enfermidades, das injustiças, dos conflitos fratricidas, de todas as formas de violências que infelizmente continuam afetado tanto os adultos como as crianças, sem poupar missionários, sacerdotes, religiosos e religiosas assim como voluntários", afirmou.

A vitalidade e o dinamismo dos católicos na África enfrentam a presença histórica do Islã, que cresce em alguns países do sul do Saara assim como em Ruanda, Serra Leoa, Libéria e África do Sul.

Concorre também com as seitas e movimentos evangélicos, que se multiplicam em todo o continente e constituem uma verdadeira 'pedra no sapato' para o Vaticano.

A "Europa exportou para a África não apenas a fé em Cristo, também todo o tipo de vícios, como a corrupção e a violência", sustenta em Roma o padre Gérard Chabanon, superior-geral dos "Padres Brancos", uma das maiores ordens missionárias.

Presentes em 23 países com 630 religiosos, os missionários, boa parte deles africanos, conhecem de perto os problemas do continente.

"Nosso papel é abrir as igrejas locais ao diálogo inter-religioso e também lutar por justiça", sustenta Chabanon.

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