O milagre econômico israelense

Em 60 anos de existência, Israel consegue desprender-se de sua imagem de produtor de advogados para consolidar-se na primeira linha mundial da alta tecnologia, abrindo-se à globalização.

AFP |

Desde sua criação, Israel, um país com poucos recursos naturais, sempre apostou na inteligência.

"Soubemos transformar estes obstáculos em vantagens", declarou o presidente da Associação de Indústrias, Shraga Brosh.

"Precisamente porque não temos petróleo fomos obrigados a trabalhar com o que temos e nos concentrar em nossos cérebros", ressaltou o dirigente da principal organização patronal do país.

Motivos de satisfação não faltam, segundo Brosh. Alguns exemplos: na bolsa de Nova York, centenas de empresas israelenses são cotadas na Nasdaq, o que coloca o Estado hebreu na terceira posição neste templo de alta tecnologia.

Israel ocupa a quarta posição mundial na exportação de armas, atrás dos Estados Unidos, Rússia e França, segundo dados do ministério da Defesa.

O principal grupo farmacêutico do país, Teva, se converteu no número um do mundo no setor de medicamentos genéricos.

No âmbito da tecnologia da depuração e da dessalinização da água, Israel também é uma "superpotência", com exportações anuais de mais de 1 bilhão de dólares no ano passado, segundo um porta-voz do ministério do Comércio e Indústria.

Quase todos os meses, um grupo importante de estrangeiros adquire uma "start up" israelense. A IBM, por exemplo, acaba de comprar três pequenas empresas locais, desde o início do ano.

Israel está se aproximando do grupo de países mais desenvolvidos no que diz respeito à qualidade de vida. Segundo o Banco de Israel, o Estado hebreu, com um Produto Interno Bruto (PIB) de 20.400 dólares por habitante, se situa na 18º colocação mundial.

No entanto, simbolicamente, a moeda israelense, o shekel, será totalmente convertida nos próximos meses.

Além disso, Israel poderá integrar-se antes do final do ano à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As três principais agências de classificação financeira internacional, Moody's, Standard & Poor's e Fitch, se deram conta desses avanços para melhorar suas avaliações sobre a economia israelense.

Todos estes "prêmios" foram combinados, ainda que existam riscos geopolíticos na região. As agências levaram em conta que a guerra de 2006 no Líbano contra o Hezbollah afetou a economia.

Israel viveu o maior período de crescimento em sua história entre 2003 e 2007, com um total acumulado de 23,5%, uma porcentagem muito superior ao de outros países industrializados.

"Os empresários estrangeiros puderam comprovar que éramos ricos", se orgulha Shraga Brosh.

O presidente israelense Shimon Peres, grande defensor de um "nova Oriente Médio", calcula que a paz permitirá impulsionar ainda mais o crescimento.

"Com nossos cérebros e o petróleo de nossos vizinhos, o céu não tem limite", disse Shraga Brosh. Um otimismo e uma estratégia que Benjamin Netanyahu, líder da oposição de direita, não compartilha.

Para o ex-primeiro-ministro, não há nenhuma necessidade de fazer concessões territoriais aos palestinos ou para os sírios.

"Ao contrário do que dizem os clichês, a paz não se traduz em um maior crescimento", afirmou recentemente.

A essa incógnita política se acrescenta uma "fratura social" que cada vez é maior.

Um milhão e meio de israelenses, de uma população total de sete milhões, vivem na pobreza, enquanto que 40% da receita das 500 maiores empresas do país estão nas mãos de 19 famílias.

jlr/cl/sd

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