O mapa genético individual é a chave para um tratamento mais personalizado

Os tratamentos baseados no mapa da identidade genética de cada paciente podem ajudar a prevenir milhares de mortes devido aos efeitos indesejáveis de um medicamento, segundo o pioneiro americano da genética, Craig Venter.

AFP |

A contínua diminuição dos custos das análises do genoma individual deve contribuir para a personalização dos tratamentos levando em conta reações alérgicas aos medicamentos que se diferencia segundo cada indivíduo, afirma Venter e sua equipe na edição de setembro do periódico Farmacologia Clínica e Terapêutica (do grupo Nature).

Venter e seus companheiros do Instituto Craig Venter (Rockville, Maryland) sugeram que se deve ir além das características étnicas - "simplistas", segundo sua forma de ver - e muito em moda nos Estados Unidos. O exemplo disso é um remédio especificamente dirigido aos afro-americanos com problemas cardíacos, o BiDil, que é comercializado há vários anos.

A equipe de Venter examinou seis genes "CYP", conhecidos por seu importante papel no metabolismo dos medicamentos, de duas pessoas cuja genova foi integralmente seqüenciado, o do Prêmio Nobel de Medicina, James Watson, e o do própio Venter.

Os pesquisadores constataram que estes dois homens brancos têm variações genéticas suscetíveis de implicar claras diferenças de reações em um mesmo tratamento.

Venter, ao contrário de Watson, também possui uma variante do gene CYP2D6, que ajuda a metabolizar certos medicamentos prescritos contra a depressão ou as arritmias cardíacas.

Outros tratamentos contra o câncer, a hipertensão ou anticoagulantes que fluidificam o sangue para evitar a formação de coágulos também teriam efeitos diferentes nos dois homens.

Por outra parte, o dr. Watson possui uma característica muito rarra nos brancos (3%), mas predominante na Ásia do Leste.

Os autores não rejeitam os tratamentos dirigidos para as minorias nos testes terapêuticos, mas consideram um métod "muito aproximativo" basear os tratamentos na raça.

A este respeuti akegan i casi de yna versão de um gene (a variante 17 do gene CYP2D6) envolvido no metabolismo da codeína, de antipsicóticos e de antidepressivos, presente em 9% da população da Etiópia frente a 34% do Zimbábue.

"Agora os médicos podem ir muito além das terapias baseadas em critérios étnicos", segundo eles.

Por exemplo, os portadores da forma do gene CYP2C9 que reduz o metabolismo de um anticoagulante, a warfarina, estão expostos a riscos de overdose e, por isso, hemorragias. O fato de saber isso permite ajustar mais facilmente a dose destes pacientes.

A ineficácia de um medicamento em alguns indivíduos tambémpode ter origens genéticas.

Os Estados Unidos contam todos os anos com mais de dois milhões de casos de efeitos indesejáveis dos medicamentos, e dentre eles cerca de cem mil casos são fatais.

CB/bb/cn

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