O longo percurso rumo à Casa Branca chega ao fim para Obama e McCain

Os dois candidatos à Casa Branca poderão medir na próxima terça-feira o longo caminho percorrido para chegar ao final de sua ambição depois de quase dois anos de campanha eleitoral, a mais cara da história dos Estados Unidos.

AFP |

Difícil saber precisamente quando a corrida começou. Para o democrata Barack Obama, 47 anos, teria sido numa noite de julho de 2004, quando ele ainda nem era senador? Quanto ao republicano John McCain, 72 anos, ele não estaria buscando a revanche por seu destino contrariado durante a campanha presidencial de 2000?

Em 27 de julho de 2004, um desconhecido chamado Barack Obama subiu ao palco da convenção democrata de Boston e expôs seu sonho a delegados subjugados: o de uma nação nem negra, nem branca, nem republicana, nem democrata, mas que seria... os Estados Unidos da América.

Quatro anos mais tarde, este tema de uma América reconciliada com ela mesma se tornou o lema da campanha do homem que pode se tornar o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Obama anunciou sua candidatura na fria jornada de 10 de fevereiro de 2007 em Springfield (Illinois, norte), cidade onde cresceu Abraham Lincoln, o presidente (republicano) que tirou os EUA da guerra da Secessão e do escravismo.

Foi em frente ao imóvel onde Lincoln iniciou sua campanha abolicionista que Barack Obama assumiu a palavra: "Hoje, estão nos chamando. É a vez de nossa geração de se levantar".

É cedo demais para passar a vez, pensou ao contrário John McCain. O senador do Arizona beirou a morte mais de uma vez, tanto física como política, e não é homem de se entregar.

Em 2000, depois de oito anos de presidência democrata, ele se lançou pela primeira vez na corrida pela investidura republicana. Uma corrida interrompida logo nas primárias, quando ele perdeu para a equipe de seu rival... George W. Bush.

Apesar de tudo, McCain se mostrou leal sob a presidência Bush, surdo aos apelos do campo democrata e de seu amigo John Kerry, um ex-soldado do Vietnã como ele, para juntar-se a ele em 2004. Lutando contra seu temperamento forte, ele foi paciente, reforçou as alianças com os conservadores do partido, construiu pacientemente sua candidatura antes de anunciá-la formalmente em 25 de abril de 2007. "Eu não sou o mais jovem dos candidatos, mas o mais experiente", disse a um pequeno grupo de eleitores em Portsmouth (New Hampshire, nordeste).

Em 3 de janeiro de 2008, quando começaram as primárias, oito candidatos se apresentaram do lado democrata e sete entre os republicanos.

Nem Obama, nem McCain não eram favoritos. A maioria dos especialistas apostava numa final nova-iorquina com Hillary Clinton de um lado e Rudy Giuliani de outro. A campanha McCain naufraga e carece de verbas.

Primeiros a se pronunciar, os eleitores de Iowa desmentiram os especialistas. Obama se tornou o candidato democrata e um praticamente desconhecido, o ex-pastor batista Mike Huckabee, ganhou entre os republicanos.

Cinco dias mais tarde, em New Hampshire, Clinton assumiu a liderança entre os democratas e McCain provou que os americanos podiam contar com ele.

Um esgotante duelo Clinton-Obama se iniciou então no campo democrata. E, somente no dia 4 de março a corrida acabou no campo republicano, após as primárias do Texas e de Ohio. "A prova começa hoje", disse McCain.

Do lado democrata, a corrida para a candidatura terminou apenas no início de junho, após a última primária e mais de 25 debates televisivos.

A corrida democrata foi marcada por trocas de farpas entre os dois rivais. Para ganhar pontos, a campanha McCain usou as críticas de Clinton contra Obama: inexperiência, elitismo, relações com pessoas duvidosas...

No intuito de seduzir os eleitores de Clinton, John McCain escolhou uma mulher, Sarah Palin para vice de sua chapa.

Suscitando um entusiasmo jamais visto em campanhas presidenciais anterior, Obama atraiu por sua vez uma multidão. Milhões de americanos se inscreveram nas listas eleitorais. Em três ocasiões, os dois candidatos se encontraram em debates na televisão que deram vantagem ao candidato democrata. A partir do fim de setembro, as pesquisas mostraram Obama na frente.

Entretanto, a medida que a eleição se aproxima, os comícios de McCain suscitam uma retomada do interesse dos americanos. Alvo de caricaturistas, Sarah Palin vem causando frisson por onde passa. Os republicanos descobriram "Joe, o bombeiro", figura do americano trabalhador e dedicado, e esperam que ele seja o trunfo vencedor na noite de 4 de novembro.

aje/bar/lm

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