O fracasso da COP15 tem impacto direto na atuação da ONU

Os esforços para elaborar uma aliança mundial contra as mudanças climática resultaram nesta semana num grande fracasso, apesar de as Nações Unidas terem marcado o dia 18 de dezembro de 2009 como a data na qual todos os países iriam unir sob sua bandeira para enfrentar um dos maiores desafios que pesam sobre a Humanidade no século XXI.

AFP |

A conferência foi encerrada com uma carta de intenções de conteúdo meramente político, não vinculante e cheia de denominadores comuns mínimos e vagos.

A ONU só pode alegar que, de uma forma ou outra, o "Acordo de Copenhague" já nascera morto. "Talvez não seja tudo o que esperávamos, mas esta decisão da conferência é uma etapa essencial ", limitou-se a comentar seu secretário-geral, Ban Ki-moon.

Diplomatas consultados pela AFP se mostraram consternados com o ambiente caótico das reuniões, pelas consequências catastróficas do encontro multilateral e pelo fracasso de dois anos de negociações ambiciosas para estabelecer limites nas emissões de gases-estufa.

Para alguns, a responsabilidade do fiasco recai sobre a extrema complexidade das negociações, apesar de, para outros, o problema ser o próprio formato das discussões entre Estados.

"O maior contragolpe será sentido no sistema da ONU, não na mudança climática", comentou um funcionário europeu.

Os 194 envolvidos nas negociações deveriam proceder por consenso, mas as divisões entre ricos, emergentes e pobres acabaram afetando os compromissos preconizados desde a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em 1992.

Os temas tratados são realmente muito complexos e abrangem do financiamento da adaptação à mudança climática das nações pobres até os sistemas de verificação das emissões, passando pelos créditos do carbono.

Outra questão que ficou evidenciada é o conflito que pode representar para os líderes do planeta o confronto entre a defesa dos interesses globais e os interesses nacionais.

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), Rajendra Pachauri, afirmou que a Cúpula de Copenhague seria um "teste importante" para saber se as nações são capazes de se unir ante uma ameaça comum.

Alden Meyer, diretor da ONG americana Union of Concerned Scientists, deu a resposta, ao afirmar que o fracasso de Copenhague "demonstra a fragilidade do sistema multilateral" para dar respostas com a rapidez necessária no caso da mudança climática, atribuindo isso à falta de dinamismo político.

Exemplo disso, recorda Meyer, na primeira Guerra do Golfo, em 1990, recorda Meyer, os Estados Unidos conseguiram formar uma ampla coalizão de países muito interessados em expulsar do Kuwait as tropas do presidente iraquiano Sadam Husein, que haviam invadido o emirado.

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