O eclipse solar total mais longo do século XXI na quarta-feira mergulhará em completa escuridão a China e a Índia, os dois países mais povoados do planeta e onde os contos e as mitologias evocam este fenômeno tanto como o anúncio de bons augúrios como de maus presságios.

O astrofísico americano Fred Espenak definiu este eclipse do Sol como um fenômeno gigante, que poderá ser observado por nada mais nada menos que 2 bilhões de pessoas, um recorde na história da Humanidade.

A partir das 00H53 GMT - 06H23 na Índia-, a noite voltará a cair um pouco depois do amanhecer no estado de Gujarat (oeste).

Depois, a escuridão se irradiará por um corredor de 15.000 km de extensão e 200 km de largura, atravessando a Índia, o Nepal, o Butão, Bangladesh, Mianmar e China, e alcançando também as ilhas meridionais japonesas de Ryukyu.

"Será o eclipse mais longo do século. Nenhum de nós vivirá o suficiente para ver outro igual", afirmou, estusiasmado, Federico Borgmeyer, diretor da agência de viagens alemã Eclipse City.

O Sol ficará completamente bloqueado pela Lua durante seis minutos e 39 segundos em uma zona pouco habitada do Pacífico, um recorde de duração para um eclipse que só será quebrado em 2132.

A escuridão, no entanto, durará menos na Índia (entre três e quatro minutos) e em Xangai (cerca de cinco minutos).

O sexto eclipse total do século tomou conta da atividade comercial e turística no Extremo Oriente, a região geográfica ideal para aproveitar este fenômeno astronômico.

O Parque das Esculturas de Xangai, o melhor lugar de observação da cidade, anunciou que vendeu 2.000 entradas para 22 de julho, com óculos especiais incluídos e camisetas comemorativas. Os hotéis estão lotados.

Na Índia, a agência Cox and Kings fletou um Boeing 737-700 que decolará de Nova Délhi antes do amanhacer, "interceptará" o eclipse total a uma altitude de 41.000 pés (12.500 metros) e voará para o leste, até o estado de Estados de Bihar.

Os 21 lugares do avião do lado do Sol foram vendidos por 1.200 euros (1.700 dólares).

Enquanto isso, na cidade santa de Kurukshetra, norte da Índia, espera-se a chegada de um milhão e meio de de peregreinos para se banhar durante o eclipse nas águas purificadas e contribuir assim para a libertação da alma.

Na Índia e na China, os contos e mitologias evocam nos eclipses o anúnco de boas fortunas, mas também de maus presságios.

O eclipe dessa quarta é "um momento muito perigoso no universo", adverte Raj Kumar Sharma, um astrólogo de Mumbai. "Se o Sol, o senhor das estrelas, está doente, então acontecerá algo de grave no mudno", prevê.

Na Índia, as mulheres grávidas, que programaram uma cesariana para quarta-feira, ao saberem do eclipse, decidiram reprogramar a cirurgia, explica Shivani Sachdev Gour, ginecologista do hospital Fortis de Nova Délhi.

Na China Imperial, os eclipses eram presságio de catástrofes naturais ou da morte de um imperador. Estas crenças e superstições ainda não desapareceram.

Astrônomos e meteorologistas temem principalmente que as nuvens desta época de chuvas de monção no subcontinente indiano arruinem o espetáculo.

Se o tempo estiver bom, assim que o disco solar estiver coberto, o resplender da coroa solar será visível. Veremos, inclusive, protuberâncias ou jatos de gás incandescentes projetados a milhares de quilômetros do Sol.

Mas se o céu estiver encoberto, a queda das temperaturas e a repentina escuridão serão as únicas manifestaçõe tangíveis do esperado eclipse.

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