O Chacal é condenado na França por ataques

Venezuelano Carlos cumprirá prisão perpétua pela organização de 4 atentados cometidos há quase 30 anos

BBC Brasil |

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A Justiça francesa condenou nesta quinta-feira (15) o venezuelano Carlos, o Chacal, à prisão perpétua, pela organização de quatro atentados cometidos há quase 30 anos.

O Chacal, de 62 anos, cujo nome real é Ilich Ramirez Sanchez, chegou a ser um dos acusados de extremismo mais procurados do mundo.

Ele fora capturado no Sudão, em 1994, e desde 1997 está cumprindo pena perpétua na França, por conta de um triplo homicídio cometido em 1975.

Mas, segundo a agência Reuters, a sentença desta quinta-feira deve impedi-lo de requisitar liberdade condicional, pedido que poderia fazer a partir de 2012.

Chacal nega ter participado dos ataques a bomba realizados em 1982 e 1983 em Paris e Marselha, que deixaram um saldo de 11 mortos e cerca de 150 feridos. A descoberta de novas provas permitiu que ele fosse julgado pelo crime, três décadas depois.

'Homem de combate'

Durante o julgamento, o Chacal se descreveu como um "homem de combate" e um "revolucionário profissional". Em seu depoimento, disse ser "um arquivo vivo". "A maioria das pessoas do meu nível estão mortas."

Também leu um texto em memória ao ex-líder líbio Muamar Khadafi, que em vida foi acusado de ter financiado ataques extremistas contra o Ocidente.

Desde 1997, Chacal, um autodenominado "revolucionário internacional", cumpre pena de prisão perpétua pelo assassinato de dois policiais e um informante realizados em Paris, em 1975, quando operava na clandestinidade como parte da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

Ele é um dos últimos exemplares de uma linha de revolucionários de extrema-esquerda que marcou o imaginário romântico-comunista no século 20 e a defesa da causa palestina, nas décadas de 1970 e 80.

Durante anos, ele foi o nome mais famoso do chamado terrorismo internacional, embora poucos conhecessem seu rosto. Virou personagem de livros, documentários e filmes.

Nome de guerra

O nome de guerra "Carlos" surgiu quando o venezuelano passou a integrar as operações exteriores da FPLP e a realizar atentados contra alvos ligados a Israel.

Ganhou fama na Europa ao ser apontado como autor da tentativa de assassinato do irmão de um rico empresário judeu em Londres, em dezembro de 1973. Um mês depois, teria sido o responsável pela explosão de uma bomba em uma agência bancária também na capital inglesa. Em 1975, se converteu ao islã.

O apelido de Chacal foi dado pela polícia britânica, que ao revistar um de seus esconderijos, encontrou um exemplar do livro O Dia do Chacal, do inglês Frederick Forsyth.

Sua carreira terminou em 1994, quando vivia no Sudão. O governo sudanês permitiu que forças especiais francesas o capturassem em seu território e o levassem para Paris, sem a abertura de um processo de extradição.

Nesta quinta-feira, ele foi considerado culpado por atentados contra um trem que viajava de Paris a Toulouse, contra a sede de um jornal na capital francesa, contra uma estação ferroviária em Marselha e contra um trem de alta velocidade.

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