A modificação genética pode ser a única forma viável para produzir quantidades suficientes de arroz no futuro à medida que a seca, a mudança climática e a escassez de superfície de campos afetam seu cultivo, indicaram especialistas em um novo informe do Instituto de Pesquisa Internacional do Arroz (IRRI).

O arros é o alimento básico de 3 bilhões de pessoas e o principal desafio enfrentado pelos produtores é como aumentar a produção desse cultivo que necessita de água, quando 70% das zonas agrícolas secam cada vez mais, indica o estudo.

A biotecnologia, o processo de modificar os genes de um organismo para produzir novos produtos, está se convertendo num importante instrumento para o instituto com sede nas Filipinas, pela possibilidade que tem de enfrentar o impacto da mudança climática, afirma o IRRI publicado na revista "Rice Today".

O instituto desenvolveu uma quantidade de variedade de arroz de alta produtividade durante a chamada Revolução Verde de grandes avanços na agricultura no final dos anos 60 e início dos 70.

O ex-diretor geral do IRRI, Nyle Brady, assinalou que o instituto precisa usar a biotecnologia para "desenvolver as variedades de arroz que utilizem eficientemente os nutrientes da planta, que tolerem as condições adversas como a seca e que sejam resistentes aos insetos e as enfermidades para reduzir a necessidade de pesticidas".

Brady disse entender "os motivos políticos pelos quais isso resulta difícil porque alguns países não querem que a biotecnologia seja utilizada para estes propósitos".

"Mas os países em desenvolvimento necessitam melhorar os cultivos muito mais que os Estados Unidos", acrescentou Brady.

Gurdev Kush, professor na Universidade da Califórnia e ex-cientista do IRRI, reconhece que "o ambiente para aceitar os cultivos geneticamente modificados não é tão bom como deveria ser".

O instituto estima que entre 15 e 20 milhões de hectares de arroz de rego podem enfrentar em algum grau a escassez de água até 2025.

As áreas de cultivos geneticamente modificados aumentou em 2008 9,5% em relação ao ano anterior, para alcançar os 120 milhões de hectares divididos em 25 paíss, afirmou.

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