Xiitas mostram resguardo diante de ataques sunitas no Iraque

BAGDÁ - Clérigos e políticos xiitas têm conseguido convencer seus seguidores para que não retaliem uma campanha feroz de bombardeios sectários, nos quais sua etnia representa a maioria dos 558 civis mortos desde a retirada de tropas americanas das cidades do Iraque no dia junho 30.

The New York Times |

"Deixem que nos matem", disse o Xeque Khudair Al-Allawi, imam de uma mesquita recentemente bombardeada. "É um desperdício do seu tempo. O viés sectário é um golpe antigo e ninguém quer mais entrar neste jogo. Nós sabemos o que eles querem e seremos apenas pacientes. Mas todos eles irão para inferno".


Xiitas lamentam mortes em atentado / NYT

A paciência dos xiitas hoje é um extraordinário contraste com o passado recente do Iraque. Com maioria demográfica de 60% e controle do governo, o poder é seu pela primeira vez em mil anos.

Retomar a guerra sectária é, como tanto os extremistas sunitas quanto os xiitas sabem, a única maneira de perder tudo isso, especialmente se envolverem seus vizinhos árabes sunitas em um problemático conflito regional.

A mudança é perceptível em relação a 2006, quando uma bomba foi explodida no santuário xiita de Samarra, não matou ninguém mas gerou fúria por causa do sacrilégio e levou a dois anos de conflitos sectários.

Os xiitas do Iraque, aconselhados por seus líderes políticos e religiosos e acostumados a sofrer depois de séculos como a classe inferior da região, se recusam a morder a isca (por enquanto). Ao invés disso, eles fizeram da paciência uma virtude e convenceram seus seguidores que ganham ao não responder com violência.

O primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki conseguiu controlar milicianos xiitas antes violentos, enquanto o líder espiritual dos xiitas, o grande aiatolá Ali Al-Sistani, proibiu qualquer tipo de represália violenta.

Agora, até mesmo alguns dos mais violentos extremistas xiitas dos últimos anos estão se unindo ao processo político.

A raiva depois dos bombardeios é comum, mas agora ela é mais provavelmente dirigida aos fracassos das forças iraquianas do que contra os sunitas.

Outra importante diferença tem sido a rejeição por políticos sunitas de ataques realizados contra xiitas, o que raramente aconteceria em 2006.

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