Wall Street opta por limitar bônus de executivos

NOVA YORK - Com os salários de Wall Street sob um escrutínio nunca antes visto, o Morgan Stanley resolveu impor limites aos bônus anuais - o que permitirá que o banco se aproprie de parte do dinheiro de seus funcionários.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

De acordo com este plano, anunciado na segunda-feira, o Morgan Stanley irá reter uma parcela dos bônus de seus funcionários por três anos. Se as movimentações dele no mercado derem errado neste período, parte do bônus não será pago. A provisão de recuperação deve desencorajar os funcionários de tomarem decisões incertas ao relacionar sua própria compensação à performance do banco.

Não está claro se outros bancos adotarão a mesma medida. Mas com os salários sob os holofotes e a temporada de bônus à vista, Wall Street se mobiliza para evitar críticas sobre o pagamento das compensações depois que muitos bancos, como o Morgan Stanley, aceitaram bilhões de dólares do governo.

Sem bônus

O anúncio aconteceu em um dia em que outro gigante de Wall Street, o Merrill Lynch, também anunciou que seus executivos sênior não receberão bônus este ano. Diversas outras companhias financeiras anunciaram medidas similares diante do repúdio público ao pagamento de recompensas.

Os três principais executivos do Morgan Stanley (John J. Mack, chefe executivo, e os co-presidentes James P. Gorman e Walid A. Chammah) não receberão bônus, afirmou a empresa. Os bônus do comitê de operações do banco, composto por 14 pessoas, serão cortados em 75%.

O Morgan Stanley e outros bancos receberam críticas por pagarem bônus recordes nos últimos anos com base em lucros que eram ilusórios. Grande parte do dinheiro que Wall Street recebeu durante a alta do mercado desapareceu na crise financeira. O Goldman Sachs, que também recebeu dinheiro do governo, afirmou há algumas semanas que seus principais executivos não receberão bônus este ano.

A ideia de que executivos de Wall Street possam receber qualquer bônus irritou os políticos e o povo americano. A sensibilidade de Wall Street ao assunto foi perceptível na segunda-feira no quartel-general do Merrill Lynch,  antes um imponente estabelecimento que agora será vendido ao Bank of America.

O chefe executivo do Merrill, John A. Thain, havia pedido US$10 milhões em bônus este ano, mas o comitê de compensação da empresa recusou a lhe dar qualquer valor, de acordo com uma pessoa envolvida na questão.

O Merrill Lynch divulgou uma declaração dizendo que Thain não pediu bônus, bem como outros executivos sênior da companhia.

Por LOUISE STORY

Leia mais sobre Morgan Stanley

    Leia tudo sobre: crise financeira

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG