Votação na Índia é alimentada por questões locais

HYDERABAD ¿ A Índia começou a votar nesta quinta-feira, em uma de suas eleições mais bagunçadas nos últimos anos. A eleição, sem previsão confiável de quem se superaria, teve campanhas que deram mais destaque a questões locais do que atenção à direção que o país deve tomar.

The New York Times |

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Indianos fazem fila para votar nas eleições nacionais do país 

Nem o governante Congresso Nacional Indiano, nem sua oposição, o partido Bharatiya Janata, deve ganhar sem fechar acordos com líderes de partidos pequenos e ambiciosos, que esperam barganhar muito por uma chance no poder.

Mais de 714 milhões de pessoas podem votar na Índia, onde as eleições nas últimas quatro semanas determinarão a seleção de 543 membros do parlamento. Os resultados devem ser anunciados dia 16 de maio. Relatórios iniciais da Comissão da Eleição Central indicaram mais de 86% de votos em algumas regiões, mesmo com as temperaturas muito quentes.

A violência já se espalhou. Maoístas, do cinturão central e leste da índia, divulgaram um boicote às eleições e executaram uma série de ataques fatais nas últimas semanas. Nesta quinta-feira, 18 pessoas, incluindo 11 oficiais de segurança, foram mortas em ataques distintos em três estados. Mais de dois milhões de membros do corpo de funcionários se distribuíram estrategicamente pelo país.

A incerteza do tipo de coalizão de governo será feita lança dúvidas sobre questões de importância crítica para a Índia. S temas abrangem desde uma ação afirmativa baseada em castas no setor privado ou sobre reformas de universidades públicas arcaicas da Índia até sua posição no diálogo sobre mudanças climáticas. Quanto mais frágil a coalizão, mais difícil será fazer escolhas políticas contenciosas.

Diferente de coalizões do passado, desta vez, as alianças políticas serão alinhadas apenas se os resultados forem anunciados, além de haver uma incerteza quando o tipo de governo deve se esperar. As eleições acontecem em meio uma crise financeira mundial que começou a golpear o crescimento econômico da Índia, mas a campanha foi dominada por debates sobre religião, casta, pobreza e uma diversidade de questões locais.

Todos os partidos apelaram para promessas a eleitores desde pacotes para pobres até a expansão de um programa federal de empregos até aparelhos de televisão de graça.

Em Andhra Pradesh, um dos 17 estados onde a votação começou nesta quinta, foram relatados mais de 65% e diversos partidos deram presentes na véspera da eleição: dinheiro para as mulheres e licor para os homens. O encarregado da eleição estadual, I. V. Subbarao, disse que foram estimados US$ 5 milhões em dinheiro confiscado nas últimas semanas. Oficiais suspeitaram que o dinheiro fosse para ser entregue a eleitores, o que é ilegal.

As preocupações dos eleitores se estendem do paroquial ao filosófico. Em um território, onde predomina a classe operária, chamado V. V. Girinagar, uma mulher chamada Vijaylakshmi, 33, disse que recompensaria quem se opusesse ao Partido Bharatiya Janata, porque seu legislador local financiou a reforma de ruas na vizinhança. P. Kishtaiah, 52, disse que em época de eleição qualquer político promete legalizar construções ilegais de bairros pobres, mas ninguém até hoje cumpriu essa promessa.

Próximo ao local, em uma jurisdição de classe média, Uma Shekar, 40, que trabalha em uma empresa de consultoria de software, disse que já cansou da corrupção. Ele falou que sua família tradicionalmente votava no Congresso, mas se voltou para outros partidos nos últimos anos. Nada funciona, disse.

Seu pai, Dasaratha Rama Iyer, 78, se apoiando em sua bengala, disse que continua votando por uma causa maior. Deus permitirá que eu viva para ver uma democracia que não esteja destruída, disse.

Andhra Pradesh, com uma população de mais de 70 milhões de pessoas, é um dos estados que poderiam fazer diferença em quem ditará as regras na Índia. Também é um microcosmo de tendências políticas no país como um todo.

Por exemplo, Chandrababu Naidu, do partido regional foi aclamado por ter levado empresas tecnológicas para Hyderabad. O Partido Telugu Desam, ao qual ele pertence, se uniu à coalizão do governo central liderada por B. J. P. Então ele foi derrotado, como também foi a coalizão.

Atualmente, com um olho no barômetro político, Mr. Naidu mudou de rumo. Ele divide o palco com comunistas e promete televisões de graça para os pobres. Agora, ele acredita que a agenda do nacionalista hindu B.J.P. ¿ Hindutya, como é chamado no país ¿ gerar votos. Todos estão preocupados com um futuro brilhante. Não estão interessados nesse Hindutya, disse ele em uma entrevista.

Ele é parte de uma nova aliança da Terceira Frente. Ela compete para formar um governo sem dois partidos nacionais. Suas chances são consideradas pequenas, mas ainda é um incômodo em cada lado do partido.



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