Vítimas de fraude querem pena máxima para Madoff

NOVA YORK ¿ Eles são viúvas, professores aposentados, empreiteiros de eletricidade e veteranos da Guerra da Coreia. A maioria tinha uma forte mensagem para o juiz responsável pela sentença de Bernard L. Madoff: Dê a pena máxima permitida pela lei.

The New York Times |

NYT

Madoff chegando na corte federal de Manhattan, em março de 2009, onde foi
considerado culpado de conexão com um esquema Ponzi de US$65 bilhões

Em mais de 100 cartas e e-mails para o juiz Denny Chin, vítimas do esquema Ponzo de US$ 65 bilhões de Madoff descreveram como suas vidas foram mudadas para sempre pelas ações do homem em que confiaram.

As cartas, enviadas a Corte Federal dos EUA em Manhattan e divulgada ao público na segunda-feira, vieram antes da sentença de Madoff que será anunciada em 29 de junho. Oito das vítimas, incluindo uma que conhece Madoff pessoalmente por há mais de 20 anos, pediram a Chin a permissão para falar durante o anúncio da sentença.

Mais de dois terços das vítimas que escreveram ao tribunal eram aposentados ou filhos de aposentados que investiam com Madoff há mais de uma década. Muitos dizem que foram forçados a se mudar para casa de parentes ou procurar emprego.

Diversas cartas expressavam o medo de a Comissão de Seguros e Câmbio fracassar em descobrir a fraude após terem sido informadas muitas vezes.

Muitos estavam inundados de raiva direcionada a Madoff.

Sentencie este monstro chamado Madoff a mais severa punição de acordo com suas habilidades, escreveu Randy Baird, advogado da Califórnia. Somos velhos demais para recuperar o que perdemos. Temos que começar do zero.

Em março, Madoff, 71, foi considerado culpado em 11 acusações de fraude, lavagem de dinheiro, perjúrio e roubo. A pena máxima das acusações totaliza 150 anos.

Alguns falaram sobre a visão das vítimas de fraude tratada na mídia como sendo ricos e privilegiados. Muitas vítimas de Madoff são pessoas mais velhas ou aposentadas que guardavam dinheiro para o futuro e tiveram a infelicidade de acreditar em um poderoso homem de Wall Street que foi investigado repetidamente e tinha uma ficha limpa, escreveu Emma De Vito, 81, uma viúva de Chelfont, Pensilvânia, que perdeu economias de uma vida toda com Madoff.

Sem saber desta carta, nesta segunda-feira, o representante Paul E. Kanjorski, influente democrata da Pensilvânia, pediu que o SEC fornecesse ao Congresso uma atualização das investigações internas para saber por que a agência falhou em detectar o esquema de Madoff.

Em uma carta, Kanjorski, presidente do Subcomitê da Câmara de Serviços Financeiros em Mercados de Capital, Seguros e Iniciativas Financiadas pelo Governo, pediu ao inspetor-geral do SEC, H. David Kotz, para lançar uma atualização imediata da investigação de Madoff. A carta também pedia a ele para fornecer recomendações para melhorar a aplicação da legislação e o fechamento de lacunas jurídicas que se tornou aparente, como o resultado dos US $ 65 bilhões de fraude.

Kotz respondeu na tarde desta segunda, dizendo que pretendia lançar três relatórios em breve detalhando todas as investigações sobre Madoff e suas entidades, conduzidas pelo SEC, desde 1992 e as razões pelas quais a agência falhou em descobrir o esquema.

O primeiro relatório deve ser publicado até o fim de agosto, disse Kotz. Os outros dois relatórios, que o inspetor espera lançar até 30 de setembro, fornecerão recomendações específicas para o desenvolvimento da divisão de coerção e do Escritório de Inspeções e Análise de Conformidade.

Neste mês, Kotz forneceu uma breve atualização do progresso da investigação em seu relatório semestral ao Congresso. O documento diz que os investigadores revisaram mais de 1,3 milhões de mensagens de e-mail e entrevistaram mais de 27 funcionários do SEC envolvidos na inspeção e análise da firma de Madoff. Além disso, contrataram uma firma de contabilidade forense para revisar relatórios sobre a firma de Madoff produzidos pela agência.

Ao mesmo tempo em que o relatório fornece alguns detalhes de como os investigadores procediam, ele não revela os resultados da investigação ou fornece recomendações para a reforma reparatória. Kotz disse no papel que esperava completar a investigação em agosto.

Por ZACHERY KOUWE


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