Vírus que atingiu o Irã revela possível pista em indício bíblico

Código de vírus de computador poderia ser referência ao Livro de Ester, conto do Velho Testamento

The New York Times |

No vírus de computador que alguns especialistas suspeitam buscar retardar a corrida do Irã em busca de uma arma nuclear, está o que poderia ser uma referência fugaz ao Livro de Ester, conto do Velho Testamento no qual os judeus antecipam uma trama persa para destruir seus inimigos.

O uso da palavra "Myrtus" – que pode ser entendida como uma alusão a Ester – para batizar um arquivo dentro do código é uma das várias pistas encontradas por especialistas em informática que tentam rastrear a origem e a finalidade do desonesto programa Stuxnet, que procura um tipo específico de módulo de comando para equipamentos industriais.

Há muitas explicações para Myrtus, que poderia significar simplesmente murta, uma planta importante para muitas culturas na região. Mas alguns especialistas em segurança veem a referência como uma alusão a Ester, uma advertência clara em uma batalha tecnológica e psicológica cada vez mais acirrada, conforme Israel e seus aliados tentam violar o projeto mais bem guardado de Teerã. Outros duvidam que os israelenses estejam envolvidos e dizem que a palavra pode ter sido inserida como desinformação deliberada para implicar Israel.

"Os iranianos já estão paranóicos com o fato de que alguns de seus cientistas desertaram e várias de suas instalações nucleares secretas foram reveladas", afirmou um ex-oficial de inteligência que ainda trabalha com questões do Irã. "Seja qual for a origem e a finalidade do Stuxnet, ele aumenta a pressão psicológica".

Assim, um cartão de visitas no código poderia ser tanto parte de um jogo mental quanto desleixo por parte dos programadores.

Envolvimento israelense

Há muitas razões para se suspeitar do envolvimento de Israel na Stuxnet. Inteligência é a maior seção de suas forças militares e a unidade dedicada a redes de computadores, sinais e eletrônicos, conhecida como Unidade 8200, é o maior grupo dentro da inteligência.

Yossi Melman, que cobre informações de inteligência para o jornal Haaretz e está trabalhando em um livro sobre o emprego de inteligência em Israel na última década, disse em uma entrevista por telefone que suspeita do envolvimento de Israel.

Ele observou que Meir Dagan, chefe do Mossad, teve seu prazo no cargo prorrogado no ano passado em parte porque se dizia envolvido em projetos importantes. Ele acrescentou que no ano passado as estimativas de Israel de quando o Irã terá uma arma nuclear foram prorrogadas para 2014.

"Eles parecem saber de alguma coisa que os faz crer que têm mais tempo do que pensavam inicialmente", disse.

Ilusão?

Depois, há a alusão a Myrtus – que pode ser reveladora ou apenas uma ilusão.

Mas outros especialistas israelenses dizem duvidar do envolvimento de Israel. Shai Blitzblau, diretor técnico e chefe do laboratório de guerra computacional Maglan, uma empresa israelense especializada em segurança da informação, disse estar "convencido que Israel não tem nada a ver com o Stuxnet".

*Por John Markoff e David E. Sanger

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