Violência no México intimida universidades americanas

Menos universitários dos EUA se aventurarão neste verão para além da fronteira por medo da violência relacionada ao narcotráfico

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Há muito tempo os estudantes universitários americanos usam o México como um laboratório de aprendizagem, onde podem desde aperfeiçoar o uso do subjuntivo em Puebla colonial até explorar os aspectos antropológicos de Tijuana.

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Victor Clark Alfaro, acadêmico da Universidade da Califórnia, em Tijuana, México
Neste verão (de junho a setembro no Hemisfério Norte), no entanto, um número muito menor de estudantes se aventurará do outro lado da fronteira, à medida que as universidades e os alunos temem os conflitos entre gangues de narcotraficantes que fizeram vítimas inocentes por seu fogo cruzado.

Em março, dois estudantes universitários mexicanos foram mortos na prestigiada Universidade Tecnológica de Monterrey, quando eclodiram os combates entre soldados e traficantes mexicanos. Universidades nas cidades fronteiriças de Ciudad Juarez e Reynosa têm visto a violência pisar perigosamente perto de seus campi também.

A consequência direta da atenção dada aos conflitos foi o cancelamento em massa de programas de intercâmbio pelo país, incluindo as centenas de quilômetros das áreas mais perigosas. Alguns educadores de ambos os lados da fronteira consideram a reação uma resposta exagerada.

"Para fazer uma analogia", disse Geoffrey E. Braswell, um professor associado de antropologia da Universidade da Califórnia, San Diego, "não teria pensado em levar os alunos para o Mississippi durante o início dos anos 1960 ou a Chicago durante a Convenção Democrata de 1968, mas outras partes dos Estados Unidos permaneciam naturalmente seguras para as viagens. O México é assim."

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Estudantes Chris Cogburn, de Austin, Texas, e Erin Callahan, de Berkley, em sua aula de espanhol na Cidade do México
Não se sabe de nenhum estudante americano que tenha se ferido na violência, e o México não é o primeiro país a ver muitos de seus estudantes estrangeiros manterem distância. Israel, Quênia e Haiti também passaram por um fechamento temporário de programas de intercâmbio após o Departamento de Estado emitir alertas sobre a segurança de viagens a esses locais. 

A Universidade de Kansas tinha 18 alunos prontos para afinar suas habilidades no espanhol este verão em Puebla, no sudeste da Cidade do México. Mas múltiplos assassinatos em Ciudad Juarez em março fizeram com que o Departamento de Estado emitisse um alerta contra viagens para o norte do México. A universidade cancelou seu programa de Puebla, não obstante a distância geográfica entre as cidades. A Universidade do Kansas proíbe o intercâmbio para qualquer país com um alerta de viagem oficial.

A Universidade Estadual da Califórnia também proibiu todas as atividades patrocinadas pela instituição no México após o alerta do Departamento de Estado em março. Mas permite que o diretor da instituição libere viagens caso a caso. Cerca de uma dezena de viagens foi liberada para os programas em Puebla, Guadalajara, Guanajuato, Oaxaca e Querétaro.

Mas Tijuana, do outro lado da fronteira da Universidade Estadual de San Diego, parte do sistema da Universidade Estadual da Califórnia, não faz parte da lista de locais seguros.

Ciudad Juarez, na fronteira com El Paso, teve mais mortes relacionadas às drogas do que qualquer outra cidade do México nos últimos anos. Ainda assim, alguns locais insistem que a cidade continua a ser segura para os estudantes americanos.

A Rede de Solidariedade Mexicana, um grupo sem fins lucrativos de Chicago que mantém programas de intercâmbio no México, recentemente cancelou seu programa de verão em Ciudad Juarez, que deveria começar este mês, não por temor de derramamento de sangue, mas por causa da falta de interesse.

* Por Marc Lacey

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