Violência diminui esperança de eleição justa no Afeganistão

Onda de ataques insurgentes aumenta preocupação quanto à capacidade do governo afegão de realizar eleições parlamentares

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O agravamento da violência insurgente em muitas regiões do Afeganistão está aumentando a preocupação sobre a capacidade do país de realizar uma eleição parlamentar justa em pouco mais de um mês, um teste crucial da capacidade do presidente Hamid Karzai de oferecer segurança e um governo legítimo.

Após a conturbada eleição presidencial do ano passado, o governo e seus apoiadores estrangeiros estão sob intensa pressão para que haja um pleito mais confiável para o Parlamento, que está agendado para o dia 18 de setembro.

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Meninos passam por cartaz com propaganda política em Cabul, no Afeganistão

Da última vez, a insegurança, a falta de fiscalização e a fraude desenfreada levaram a um conflito prolongado, que prejudicou as relações entre Karzai e seus aliados ocidentais de tal maneira que a confiança perdida em ambos os lados ainda não foi recuperada.

Uma vez que os comandantes americanos têm em mente o prazo para começar a retirada de suas tropas no próximo ano, eles gostariam que a eleição mostrasse que o governo é capaz de manter a si mesmo.

Mas diplomatas e observadores ocidentais já estão reduzindo as expectativas para as eleições, enquanto os afegãos estão cada vez mais desiludidos com a possibilidade de uma democracia real.

A segurança piorou em muitos lugares desde o ano passado, tornando ainda mais difícil o envio de observadores eleitorais afegãos e internacionais aos centros de votação. Candidatos reclamam que não podem chegar aos bairros onde precisam ir para fazer campanha, porque é muito perigoso.

“No sul, não haverá eleições livres, justas e aceitáveis”, disse Haroun Mir, analista político que está trabalhando para o parlamento em Cabul. “Você não pode abrir a maioria dos locais de votação nessa região e garantir a segurança – por isso, em metade do país não haverá uma eleição segura”.

Essas áreas, segundo ele, agora também incluem as províncias de Kunduz e Baghlan, no nordeste. A região de Badakhshan, onde 10 voluntários de organizações humanitárias foram mortos na semana passada, agora também parece complicada, e há bolsões de instabilidade no noroeste também.

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Homem passa por cartazes de políticos em Pul-i-Khumri

Uma das maiores preocupações é que a insegurança vai abrir novas oportunidades para a fraude, especialmente para a criação de centros de votação fantasmas.

A eleição presidencial do ano passado foi marcada por inúmeros casos em que centenas de votos foram registrados para um único candidato – geralmente Karzai – em locais onde ninguém tinha realmente votado. As autoridades eleitorais acabaram jogando fora mais de um milhão de votos.

Na época, diplomatas e observadores internacionais subestimaram o potencial de fraude generalizada, até que era tarde demais. Depois que centenas de queixas vieram à tona, eles cobraram Karzai, algo que o líder afegão considerou uma vergonha e uma traição, segundo oficiais que o conhecem.

As Nações Unidas têm um papel de apoio na eleição, mas os seus oficiais já falam sobre possíveis problemas, tentando evitar a repetição da situação do ano passado.

“Nós sabemos que aqui não é a Suíça”, disse Staffan de Mistura, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Afeganistão. “Mas eu estou preocupado, e eu estou levantando uma bandeira amarela”.

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