Vila na fronteira da Ossétia do Sul é palco de tensões

PEREVI ¿ Nesta segunda, dúzias de georgianos se amontoaram para encher um ônibus em más condições para fugir de uma distante vila na montanha, que se tornou um lugar de tensões na fronteira da Ossétia do Sul.

The New York Times |

Eles deixaram para trás um acampamento quase vazio cujos residentes que ficaram têm medo de sair às ruas. As tropas russas continuam batendo em retirada do posto de controle no o oeste de Perevi, deixando o comando para as forças da Ossétia.

Darejan Bakradze, 50, tirou todos os objetos de valores de Perevi na manhã desta segunda, 10, mas retornou à tarde para tomar conta de sua sogra. Ao passar pelo posto de controle, ela ficou pálida e começou a tremer ao avistar soldados ossetianos.

Eu quero que os russos voltem, disse Bakradze. Eles eram pessoas perfeitas.

Histórico

As tropas russas entraram na Geórgia em agosto, mas concordaram, em uma negociação de paz feita pela França, em se retirar para as fronteiras da Ossétia do Sul e Abkhazia, outra região separatista pró-Rússia. Mas ao se saírem, as forças da Ossétia do Sul se moveram para Perevi, uma vila étnica georgiana na fronteira da região, que é reivindicada por ambos os lados.

Supervisores europeus da missão na Geórgia encorajaram ambos os lados a permanecerem calmos em um dia marcado pela tensão em toda a fronteira. Dois policiais georgianos foram mortos perto de Dvani, outra vila, quando uma mina explodiu perto de um carro, disse Shota Utiashvili, funcionário veterano do Ministério do Interior da Geórgia. Quando uma patrulha chegou para investigar, uma segunda mina explodiu ferindo mais três policiais, disse.

O embaixador Hansjoerg Haber, chefe da missão da União Européia na Geórgia, chamou a explosão de uma violação inaceitável do acordo de cessar-fogo.

Discursos

Os ataques de hoje arriscam o agravamento da situação ainda de tensão na administração das linhas das fronteiras, disse. Repetimos nosso pedidos a todos os lados para evitar mais provocações.

O ministro do interior da Ossétia do Sul, Valery Valiyev, disse que suas forças não estão envolvidas. É território georgiano, disse. O que acontece por lá não tem nada a ver conosco.

Nenhuma violência tem ocorrido em Perevi, lar de cerca de mil pessoas da etnia georgiana, mas foi o foco do discurso raivoso de ambos os lados, nesta segunda.

No mesmo dia, o presidente da Geórgia Mikheil Saakashvili prometeu proteger a vila, a qual mapas recentes mostram no lado georgiano da fronteira.

Faremos de tudo para não nos rendermos às provocações dos ocupadores, disse. Devemos entender que a Geórgia começou uma longa e difícil luta pela liberação das terras. E nessa luta, devemos agir unidos com nossos parceiros.

Ibragim Gaseyev, vice-ministro de defesa da Ossétia do Sul, disse que a vila pertence à Ossétia do Sul desde tempos imemoriáveis e prometeu dar uma resposta adequada para qualquer ato de provocação do lado georgiano no território de nossa república, segundo a assessoria de imprensa do governo da Ossétia do Sul.

Irina Gagloyeva, porta-voz do governo da Ossétia do Sul, disse que Perevi não era controlado pela Ossétia do Sul antes da guerra, mas que se tornou necessário protegê-la, porque os georgianos estão tentando criar tensões por aqui.

Violência

Os georgianos da vila dizem que estão com medo. A escola foi fechada e muitas mulheres e crianças partiram. Zurab Tsertskhvadze, oficial local, disse que os soldados ossetianos no posto de controle se recusaram a permitir que um homem entrasse em uma ambulância nesta segunda, forçando-o a deixar a vila a pé para receber cuidados médicos.

A transferência foi um choque para Alik Dzhokhadze, 24, que estava no meio da retirada russa quando soldados ossetianos entrara atirando para o ar. Dzhokhadze disse que se escondeu em sua casa por dois dias.

A violência foi relatada por ambos os lados nos últimos dias. Na semana passada, autoridades da Ossétia do Sul disseram que um homem levou um tiro fatal de um franco atirador do lado da fronteira georgiana. Também foi informado que pessoas da etnia ossetiana, moradoras de vilas controladas por georgianos, foram expulsos de suas casas e que as tropas da Geórgia explodiram uma ponte na vila Artsey.

As autoridades da Geórgia negaram o envolvimento em qualquer um desses incidentes.

Por OLESYA VARTANYAN and ELLEN BARRY

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