Vietnã comemora milésimo aniversário de Hanói

Resistente, país passa de uma experiência fracassada na economia comunista doutrinária ao capitalismo tumultuado

The New York Times |

No fim de semana, altos-falantes pela cidade tocavam o refrão: "Hanói, Hanói, Hanói". Na calçada, Nguyen Thi Thuy vendia decalques vermelhos em forma de coração com a estrela dourada da bandeira do Vietnã no centro.

"Eu esperei por este dia durante muito tempo", disse Thuy, uma estudante universitária de 20 anos de idade que colou um dos decalques na bochecha."Este dia só vem uma vez a cada mil anos".

Com desfiles, shows e muita propaganda, Hanói comemorou seu aniversário de mil anos no domingo e grande parte da vida da cidade parou para abrir caminho para a festa.

Thuy vendeu decalques no Lago Hoan Kiem, localizado no centro velho de Hanói, por 10 mil dongs (cerca de US$ 0.50 centavos), depois de comprá-los por 5 mil dongs. "Sim, é o capitalismo", exclamou  encantada com a ideia.

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Bandeiras vietnamitas decoram lojas e casas na capital Hanói
Bem acima dela na parede da agência central dos correios, uma imagem do patrono comunista do país, Ho Chi Minh, observava tudo de um cartaz que dizia: "Viver, lutar, trabalhar, estudar, segundo o exemplo do grande tio Ho".

Essa dissonância diz muito sobre a Hanói de hoje, uma capital comunista que avança em um futuro mais orientado para o mercado – maior, mais rápida, mais ruidosa do que nunca, ávida por uma nova identidade para abraçar o mundo moderno.

As bandeiras vermelhas com sua única estrela dourada tomaram conta das ruas e banners comemorando os mil anos de história foram substituídos por outros que diziam: "O Partido Comunista Vietnamita Viverá Para Sempre!"

Nos 35 anos desde o fim da guerra, tanto o país quanto o partido têm evoluído, passando de uma experiência fracassada na economia comunista doutrinária ao capitalismo tumultuado de hoje.

Controle

Mas enquanto afrouxa suas rédeas econômicas, o partido tem mantido um controle rigoroso sobre a política, assim como parte da China tem feito.

Alvo de bombardeios americanos na década de 60 e 70, o país passou por uma fase pós-guerra moribunda marcada pela pobreza e pelo racionamento. Mas hoje a capital Hanói é símbolo de alguns dos males da urbanização – superlotação, engarrafamentos, poluição – mais rapidamente do que os seus benefícios.

Como uma paisagem urbana, no entanto, Hanói parece ter sucesso onde outras cidades asiáticas têm fracassado, na integração entre desenvolvimento e preservação.

Leis de zoneamento mantiveram a baixa estatura do coração da cidade, com suas árvores e amplas calçadas. A maior parte do desenvolvimento foi deslocado para os subúrbios ocidentais. Na semana retrasada, em estradas fechadas ao trânsito, milhares de manifestantes ensaiaram o desfile de domingo, percorrendo as ruas com cartazes de propaganda socialista.

Aproveitando a ocasião, Vu Trong Thuan, 80 anos, um ex-capitão do corpo médico do Exército, vestiu  seu uniforme, um pouco frouxo no pescoço, para passear pelas ruas decoradas com as suas sobrinhas.

Ele estava orgulhoso e disse ter defendido a sua cidade contra os exércitos da França e dos Estados Unidos, mas admitiu certa nostalgia pela antiga Hanói, mais pobre, mas mais íntima.

"Tenho saudades de comer sorvete na rua Trang Tien", disse. "Eu sinto falta do som do bonde elétrico".

*Por Seth Mydans

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