Videogame de combate vai longe demais para militares americanos

Cada vez mais reais, jogos provocam reações perturbadoras para soldados que sofreram traumas no front

The New York Times |

O sargento de 1 ª classe Brian Hampton sabe que é apenas um jogo, mas os detalhes são familiares demais: os uniformes, as armas, até mesmo as bases militares e as cidades no deserto, onde a ação acontece. Cada vez que Hampton, um veterano da guerra no Afeganistão, joga, sua frequência cardíaca dispara, sua respiração acelera e seus músculos ficam tensos.

"Ele traz de volta uma lembrança real do que ele realmente se sentia lá fora", disse Hampton, 31 anos.

Os video games de guerra, cada vez mais reais, provocam tal reação física que fica ainda mais perturbador imaginar algumas pessoas jogando do lado oposto para matar soldados dos Estados Unidos.

Electronic Arts/ The New York Times
Lojas da nas bases do Exército, Força Aérea e Marinha se recusaram a vender o jogo Medal of Honor
As simulações realistas de combate são em parte o produto de uma estreita relação entre os produtores de videogames e os militares. Mas houve uma ruptura inesperada quando organizações que coordenam as lojas nas bases do Exército, Força Aérea e Marinha anunciaram que se recusariam a vender o jogo de simulação prestes a ser lançado "Medal of Honor", da Electronic Arts, uma das maiores companhias de games do mundo.

Em disputa está um recurso do jogo, ambientado no Afeganistão pós-11 de Setembro, que permite que um usuário seja um combatente talibã e ataque as tropas dos Estados Unidos.

"Por respeito àqueles a quem servimos, não iremos vender esse jogo", disse o major-general Bruce Casella, comandante do Intercâmbio de Serviços do Exército e da Força Aérea, que comanda as operações das lojas conhecidas como PX.

Aqui na cidade que faz divisa com o Forte Leavenworth, onde bandeiras americanas diante das casas contrastam com os tons de terra de fardas camufladas, a decisão provocou uma reação mista entre os soldados.

"É uma forma de entretenimento", disse o sargento Danny Wayne, 28 anos, que serviu no Iraque. "Eu acho que é errado censurar descaradamente algo, seja um livro, um filme ou um videogame".

O sargento William Schober, 28 anos, disse que era um grande fã das versões anteriores do jogo, mas achou o novo jogo insensível. "Sabe quantos dos meus amigos foram mortos pelo Talibã?", perguntou Schober. "Um dos meus amigos foi baleado na cabeça por eles. Isso é algo com o que você quer se divertir?"

Um porta-voz do Exército disse que os militares não tinham conhecimento de que os usuários podem lutar contra as tropas dos EUA e acrescentou que o processo de revisão poderá ser mais rigoroso no futuro.

A Electronic Arts diz que respeita a decisão, mas sublinhou que o jogo foi concebido para celebrar o papel de soldados dos Estados Unidos.

*A. G. Sulzberger

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