Viagem de Obama enfatiza prioridade da região do Pacífico para EUA

País dá atenção para a expansiva região Ásia-Pacífico após uma década de preocupação com as guerras do Iraque e Afeganistão

The New York Times |

O presidente Barack Obama discutiu a segurança marítima, a não-proliferação nuclear e a ajuda em meio a catástrofes em uma reunião de cúpula asiática na sexta-feira, mas sua simples presença na ilha de Bali, na Indonésia, transmitiu a mensagem principal: a de que os Estados Unidos estão dando atenção para a expansiva região da Ásia-Pacífico após uma década de preocupações com as guerras no Iraque e no Afeganistão .

AP
Barack Obama e premiê chinês, Wen Jiabao, (centro) tiram foto antes de jantar de gala em Bali, Indonésia (18/11)

Chamando a região de crítica para o crescimento econômico e a segurança nacional, Obama disse: "Eu quero que todos saibam que desde o início meu governo está empenhado em reforçar os nossos laços com cada país individualmente, mas também com instituições da região."

Obama discursou durante a abertura da reunião anual da Associação das Nações do Sudeste Asiático – um grupo formado por dez países. Antes dessa sessão, ele se reuniu separadamente com os líderes da Índia, Indonésia, Malásia e Filipinas. No sábado, ele se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos a participar da maior Cúpula do Leste Asiático, antes de retornar para Washington, após oito dias de diplomacia no Pacífico.

A reunião de cúpula na sexta-feira foi ofuscada pela notícia de uma abertura diplomática entre os Estados Unidos e Mianmar agora que seus militares afrouxaram suas limitações às liberdades pessoais no país. Obama disse que iria enviar a secretária de Estado Hillary Clinton para Mianmar , também conhecida como Birmânia, para testar a sinceridade de seu governo sobre as reformas democráticas e os direitos humanos.

A quebra na tensão entre Estados Unidos e Mianmar parece ser parte dos esforços de Obama para convencer as nações asiáticas que seu governo está empenhado em se envolver mais com a região em questões de segurança econômica e nacional. Os países ao longo do Mar da China Meridional estão especialmente ansiosos para uma maior presença dos Estados Unidos na região como uma forma de manter as ambições da China sob controle.

Saiba mais: Silenciosamente, China amplia influência em países asiáticos

A viagem de Obama foi uma espécie de ato de equilíbrio no qual ele tentou fundir geopolítica e preocupações domésticas.

Até o momento da sua partida de Washington, havia especulações de que Obama iria adiar a viagem à Indonésia, dado os riscos políticos de estar longe dos Estados Unidos durante um momento de alto desemprego e descontentamento com a economia.

Contra esse pano de fundo, Obama tem procurado ao longo de sua viagem, que teve início no Havaí – onde ele sediou um Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico – seguindo para a Austrália e Indonésia, descrever o roteiro em termos de seu potencial para criar empregos americanos através da expansão das exportações.

Para esse fim, ele participou de uma cerimônia de assinatura na qual representantes da Boeing e Lion Air, a maior companhia aérea privada da Indonésia, assinaram um contrato para a Lion Air comprar 230 aviões, um acordo de US$ 22 bilhões.

Obama disse que o acordo foi "um exemplo notável das oportunidades de investimento comerciais que existem na região da Ásia-Pacífico".

Obama disse que seu governo e o Banco de Importação e Exportação dos Estados Unidos "foram cruciais na facilitação deste negócio", que ele estimou que resultaria em mais de 100 mil empregos para americanos.

A política interna também teve um pequeno papel em reuniões de Obama com líderes asiáticos, incluindo o presidente Susilo Bambang Yudhoyono da Indonésia, o anfitrião da reunião de cúpula. Com Yudhoyono, Obama anunciou a transferência e atualização de 24 de caças F-16 para a Força Aérea da Indonésia, refletindo, segundo ele, um compromisso com a segurança da região, e uma expansão dos voluntários do Corpo da Paz e intercâmbios para a educação e programas ambientais.

Em comentários feitos durante seus encontros com o primeiro-ministro Manmohan Singh, da Índia, e o presidente das Filipinas, Benigno S. Aquino 3º, Obama elogiou as contribuições dos indianos-americanos e filipinos-americanos para os Estados Unidos.

Obama e Singh, os líderes das duas mais populosas democracias do mundo, informaram que tinham feito progressos em uma série de questões, incluindo comércio, investimentos, intercâmbio educacional, desenvolvimento de energia limpa e defesa.

Ao fazer sua declaração após a reunião, Singh disse a Obama que era "um privilégio" ver o governo americano "profundamente investido em assegurar que a Índia tenha sucesso em sua jornada histórica" para estabelecer uma sociedade mais aberta. Ele acrescentou que a cooperação em programas nucleares civis, ajuda durante desastres e segurança marítima "nos une em nossa busca por um mundo livre da ameaça de guerra, necessidades e exploração".

Na reunião de Obama com Aquino, ele elogiou o presidente filipino "por sua liderança e seus esforços de reforma." Aquino, por sua vez, disse: "Estamos ansiosos, nesses nossos tempos turbulentos, para realmente fortalecer ainda mais o nosso relacionamento."

O primeiro-ministro Najib Razak, da Malásia, ponderando uma prioridade de Obama, disse: "Estamos fazendo a nossa parte para garantir que a Malásia não seja um ponto de trânsito para mercadorias ilícitas que podem ser usadas na proliferação nuclear."

Por Jackie Calmes

    Leia tudo sobre: obamaeuaásiapacíficoásia pacíficoregiãodesempregoeconomia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG