Verão gera nova onda de famílias sem-teto nos EUA

NOVA YORK - No final do ano escolar no começo deste mês, Arielle Figueras atravessou o palco e aceitou com orgulho seu diploma da quinta série. No dia seguinte, ela não tinha onde morar.

The New York Times |

Arielle, uma pequena menina de 11 anos, e seus pais, irmão e irmã empacotaram seus pertences e chegaram ao centro de famílias sem-teto no Bronx. Apesar de terem lutado com o dono do apartamento onde moravam durante meses e seu gás e eletricidade terem sido cortados há muito tempo, a família se recusava a deixar o apartamento enquanto a escola estivesse aberta.

"Ela estava se formando, então tínhamos que esperar", disse a mãe de Arielle, Marilyn Maldonado. "Nós não queríamos atrapalhar demais a rotina deles. Não poderíamos fazer isso".


Família Figueras ficou sem casa no verão / NYT

Muitos nova-iorquinos veem o verão como um período de férias, acampamentos e dias quentes na praia. Mas oficiais da cidade têm se preparado para um ritual diferente: o aumento na população de famílias sem-teto.

Eles chamam isso de surto de verão e afirmam que este ano pode ser o pior de todos.

Uma vez que a população de sem-teto na primavera aumentou mais de 20%, possivelmente por causa do alto índice de desemprego, os oficiais esperam uma alta recorde na procura por abrigos ao longo do verão, que deve chegar a 10.000 famílias. O número já chegou a 9.420.

Outras cidades percebem tendências parecidas. Em Toledo, Ohio, um abrigo superlotado tem recusado dezenas de pessoas todas as noites. Em Charlotte, Carolina do Norte, um abrigo que tipicamente abre apenas no inverno permaneceu aberto este ano para atender à demanda, que está 20% mais alta do que no último verão. Do outro lado da cidade, um abrigo do Exército da Salvação está tão cheio que colocou colchões no chão.

Os motivos são muitos, mas também são simples. Os donos de imóveis que relutam em expulsar inquilinos inadimplentes durante o inverno, tem menos pudor quando o clima é mais quente.

Pais como os Maldonados, que têm aguentado moradias ruins para poupar seus filhos da agitação e humilhação de deixar a escola, finalmente decidem ir embora.

Famílias que aceitaram acomodar parentes em pequenos apartamentos perdem a paciência quando as crianças estão por perto todo o dia.

"Quando as escolas estão abertas, as famílias tendem a ficar onde estão", disse Deronda Metz, diretora de serviços sociais do Exército da Salvação em Charlotte. "E quando as aulas acabam eles decidem ir embora".

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