Veneza promove água de torneira para reduzir lixo plástico

VENEZA, Itália - Nesta cidade quente e nobre, garrafas dágua flutuam ao lado de gôndolas nos cantos dos canais e lotam latas de lixo na majestosa Piazza San Marco. Como Veneza não tem ruas, o lixo precisa ser coletado à pé com gastos enormes. E ainda que as garrafas plásticas possam, em princípio, ser recicladas, o processo ainda emite gases causadores do efeito estufa.

New York Times |

Os italianos estão entre os maiores consumidores de água em garrafa do mundo, com cada um bebendo em média 182 litros ao ano. Mas conforme a consciência ambiental aumenta, os oficiais locais estão ávidos em promover o que antes era impensável: que os italianos bebam água da torneira.

Durante décadas a água engarrafada era a norma nas mesas europeias, apesar da água de torneira em muitas, se não todas, cidades ser própria para o consumo humano. Desde os anos 1980, o hábito da garrafa d'água também invadiu os Estados Unidos, fazendo como que cidades de Nova York a São Francisco aumentassem suas campanhas públicas para encorajar o uso da água da torneira e diminuir o lixo plástico.

Mas aqui em Veneza os oficiais apostaram na propaganda para combater a multibilionário setor da água engarrafada. Eles inventaram um nome altivo para a água da torneira de Veneza - Acqua Veritas ,- criaram um logo interessante e a colocaram em garrafas reutilizáveis que distribuem gratuitamente para os lares e comércios locais.

"Há tantas vantagens na Acqua Veritas", disse Riccardo Seccarello, oficial da cidade, cujo escritório é adornado por um pôster da Acqua Veritas. "A água de torneira não precisa de garrafa. Sua qualidade é controlada mais rigidamente do que a de garrafa. Ela é muito barata e não é preciso ir até um mercado para consegui-la".

Em termos de redução do lixo, a campanha Acqua Veritas já é um sucesso, calculam os oficiais de Veneza, por reduzir a quantidade de lixo plástico para uma média de 261 toneladas ao mês de 288 toneladas no ano passado.

"Eu descobri a água da torneira - e realmente prefiro o gosto dela", disse Silvia Vatta, 25, estudante que comprava peixe em um mercado perto da Ponte Accademia. "Nós costumávamos usar a água de garrafa porque crescemos com isso em casa e não sabíamos que era possível beber da torneira".

Ainda assim, a campanha fez pouco progresso em restaurantes e lojas, que ganham dinheiro vendendo água em garrafa. E em uma cidade na qual há mais turistas do que moradores em uma relação de 100 para 1, a educação que se concentra nos locais será limitada na redução do lixo plástico.

Mesmo assim, Seccarello tem uma mensagem perfeita para os turistas que carregam suas garrafas: em Veneza, como em Roma, fontes públicas estão em todos os cantos e sua água pode ser consumida com "perfeita segurança".

Diante da campanha Acqua Veritas, agora ele usa água em garrafa apenas quando os hóspedes querem água com gás. Mas a cidade também tem uma resposta para isso e está oferecendo desconto em equipamentos que colocam o gás na água de torneira.

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