Vazamento prejudica plano de Obama de atrair apoio para guerra

Revelação de documentos sobre Afeganistão pelo Wikileaks pressiona líder dos EUA a defender sua estratégia no Congresso

The New York Times |

A revelação de documentos militares confidencial de um período de seis anos aumentou a pressão sobre o presidente americano, Barack Obama, para defender sua estratégia militar enquanto o Congresso dos EUA se prepara para deliberar o financimento da Guerra do Afeganistão.

O vazamento dos documentos sobre o conflito pelo site Wikileaks , com seu relato detalhado de uma guerra em situação pior do que o retratado por dois governos, ocorreu em um momento crucial. Por causa das dificuldades em campo e do aumento no número de mortos na guerra, o debate sobre a presença americana no Afeganistão começou mais cedo do que o esperado. Dentro do governo, mais autoridades questionam silenciosamente a política adotada.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, chega ao Rose Garden da Casa Branca para falar com repórteres (26/07/2010)
No Congresso, líderes da Câmara apressam-se a realizar ainda nesta terça-feira uma votação sobre um crítico projeto de lei sobre o financiamento da guerra, temendo que as revelações possam atrair a oposição democrata à medida. Um painel do Senado também deve realizar uma audiência sobre o escolhido de Obama como chefe militar do Comando Central, o general James N. Mattis, que supervisionaria as operações militares no Afeganistão.

Autoridades do governo reconheceram que os documentos dificultarão a situação para Obama enquanto ele tenta manter o apoio público e do Congresso até o final do ano, quando revisará a guerra.

Richard C. Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e o Paquistão, disse que a guerra no Afeganistão se tornou uma questão de segurança nacional para os Estados Unidos, em testemunho perante o Comitê de Relações Exteriores há duas semanas.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, manteve esse tom na segunda-feira em resposta à divulgação dos documentos, que o Wikileaks disponibiilizou ao The New York Times, ao jornal britânico The Guardian e à revista alemã Der Spiegel.

"Estamos nessa região do mundo por causa do que aconteceu no 11 de Setembro", disse Gibbs. "Para garantir que não haja um refúgio seguro no Afeganistão onde seja possível planejar ataques contra este país ou qualquer país ao redor do mundo. É por isso que estamos lá e é por isso que vamos continuar a fazer progressos nessa relação."

A Casa Branca parecia concentrar parte de sua ira contra Julian Assange, o fundador do Wikileaks.org , site que ofereceu acesso aos cerca de 92 mil relatórios secretos militares abrangendo o período compreendido entre janeiro de 2004 e dezembro de 2009.

Autoridades enviaram a repórteres emails com trechos selecionados de uma entrevista concedida por Assange à Der Spiegel, destacando as citações que a Casa Branca aparentemente achou mais ofensivas. Entre elas estava a afirmação de Assange: “Gosto de destruir bastardos."

O The New York Times e as outras duas organizações de notícias concordaram em não divulgar nada que pudesse colocar em risco vidas ou prejudicar operações militares e antiterroristas e em modificar os nomes dos informantes afegãos e outras informações delicadas.

O Wikileaks disse que deixou de divulgar cerca de 15 mil documentos pelo mesmo motivo. O Paquistão negou veementemente as sugestões de que seu serviço de espionagem militar orientou a insurgência afegã.

Enquanto as autoridades paquistanesas protestaram, um porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, disse que ele não ficou chateado com os documentos e não acredita que o retrato pintado por eles seja injusto.

* Por Eric Schmitt e Helene Coope r

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