Vazamento no Golfo deve adiar exploração no Ártico

Novas perfurações não devem ser permitidas até que políticas mais eficientes sejam adotadas para impedir nova catástrofe

The New York Times |

Existe uma maneira importante do presidente Barack Obama e o secretário do interior Ken Salazar mostrarem que estão aprendendo as lições do vazamento de petróleo no golfo e reafirmarem seu compromisso de avançar com prudência quando o assunto é exploração marítima. Eles precisam adiar a permissão solicitada pela Shell para dar continuidade a um projeto de exploração controverso no Oceano Ártico.

A companhia possui duas licenças nos mares Chukchi e Beaufort - as regiões aquáticas mais remotas e geladas da América do Norte. A companhia espera dar início à exploração no começo de julho, mas não tem uma licença definitiva - que Salazar tem o poder de recusar.

As diversas leis que controlam a exploração marítima de petróleo e gás, bem como o Ato Nacional de Política Ambiental, permitem a suspensão de atividades quando há "informações novas, significativas e pertinentes às preocupações ambientais". Não há dúvida de que o vazamento no golfo gerou novas informações - especialmente a respeito da incapacidade da indústria e do governo de responder rapidamente à uma crise - bem como provas convincentes dos danos que um grande vazamento pode causar.

Esta informação é especialmente relevante para as regiões árticas, onde a resposta até mesmo a um pequeno vazamento seria complicada pelo gelo, condições climáticas e falta de apoio por terra.

Salazar tem manifestado reservas sobre os perigos ambientais da exploração de petróleo no Ártico.

O plano de exploração do exterior continental, anunciado pelo governo em março, deixa claro que a Baía de Bristol no Alasca, uma região particularmente rica em pesca, está permanente fora de alcance. Além disso, também adiou novas concessões no restante do Ártico até que uma longa análise ambiental seja feita na região. No entanto, as duas licenças da Shell, assinadas durante a gestão Bush, obtiveram autorização e permanecem válidas.

A companhia argumentou que os poços que planeja perfurar em Beaufort e Chukchi estão localizados em águas mais rasas do que aquele explorado pela BP no golfo. Ela também insiste estar bem equipada para responder a qualquer situação de emergência. O governo não pode aceitar isso com base na fé, principalmente em um ambiente tão difícil e ecologicamente frágil.

Obama pediu a formação de uma comissão especial para investigar a catástrofe no Golfo do México ao longo de seis meses. Não faz sentido permitir novas perfurações em qualquer lugar até que a investigação seja concluída - até que as lições do golfo tenham sido completamente absorvidas e políticas mais eficientes sejam adotadas para impedir uma nova catástrofe. Até lá, Salazar deveria adiar a exploração da Shell no Alasca.

Editorial do The New York Times

    Leia tudo sobre: euavazamentomeio ambiente

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG