Uso de gás natural deve duplicar nos EUA, prevê estudo

Segundo relatório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uso de produto deve passar de 20% para 40% nas próximas décadas

The New York Times |

O gás natural fornecerá uma parcela cada vez maior de energia aos Estados Unidos ao longo das próximas décadas, duplicando sua presença no mercado de energia de 20% para 40%, segundo um relatório divulgado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

O aumento, concluiu o relatório, virá em grande parte às custas do carvão e será impulsionado pela oferta abundante de gás natural - mais acessível pela perfuração de xisto - e por medidas para restringir as emissões de dióxido de carbono que estão ligadas à mudança climática.

Em longo prazo, porém, o futuro pode ser turvo para o gás natural caso regulamentos mais rigorosos sejam colocados em prática para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa em 80% em relação aos níveis de 1990 até 2050 - a meta determinada pelo presidente Barack Obama.

Embora inferior em carbono do que o carvão, o gás natural ainda é muito intenso no componente para ser usado caso não haja algum método de captura, concluíram os autores do relatório.

O relatório, de uma série de análises de recursos energéticos, é o resultado de um esforço de dois anos feito por 14 especialistas de destaque em energia, liderado por Ernest J. Moniz, professor do MIT e ex-subsecretário de energia.

Relatórios anteriores se concentravam na energia nuclear e do carvão. O relatório foi financiado em parte pela Fundação Clean American Skies, que representa os interesses da indústria do gás natural.

No relatório, os autores ressaltam que há uma incompatibilidade entre a prática atual de energia nos EUA e as metas de energia do país.

À medida que a energia eólica que não emite carbono é acrescentada ao sistema elétrico nacional, segundo o relatório, é usada para reduzir o consumo de gás natural, que é relativamente benigno em termos de impacto nas emissões de carbono, em vez de carvão, que tem duas vezes mais dióxido de carbono por quilowatt-hora.

A razão é que o gás natural é mais caro que o carvão. O gás eventualmente substituirá parte do carvão usado para produzir eletricidade, prevê o estudo, e será usado como referência para medição de outras tecnologias de emissão restrita de carbono, como a eólica ou nuclear.

As outras tecnologias serão eventualmente necessárias. Algumas empresas que fabricam equipamentos para usinas de carvão e gás dizem que a passagem do carvão para o gás já começou. Um dos motivos é que a mudança para o gás tornará mais fácil de atender aos padrões de qualidade de ar para poluentes convencionais.

* Por Matthew L. Wald

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