Universitários dos EUA vão à recuperação do ensino médio

Apesar de o número de estudantes formados aumentar, alunos chegam despreparados à faculdade em Nova York

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Debruçada sobre seu notebook na Faculdade Comunitária de Manhattan, Sharasha Croslen se esforçava para descobrir a solução para o problema de álgebra que tinha diante de si: x² + 2x - 8 = 0.

Esta é uma questão que todo aluno da nona série deve ser capaz de responder. Mas, ainda que Croslen tenha conseguido completar três anos do curso de matemática na escola, ela não sabia chegar ao valor de x.

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Sharasha Croslen estuda em curso de recuperação em Nova York

Na maioria dos sistemas escolares, o que acontece com alunos como Croslen depois que obtêm seus diplomas desperta pouco interesse. Mas o Departamento de Educação da Cidade de Nova York reconhece que apesar das taxas cada vez maiores de conclusão, muitos dos graduados não possuem os conhecimentos básicos necessários. Assim, o departamento optou por fazer algo a respeito.

Este ano, pela primeira vez, o órgão tem enviado relatórios detalhados para cada escola, dizendo quantos de seus alunos que entraram em faculdades públicas da cidade precisaram de cursos de recuperação, bem como quantos permaneceram inscritos após o primeiro semestre.

Os relatórios vão além da medida básica do sucesso de uma escola – a porcentagem de estudantes que ganham um diploma – para que os educadores saibam se têm preparado os alunos para a faculdade ou simplesmente apressado sua partida do sistema educacional.

A análise, que a cidade pretende realizar uma vez por ano, acontece conforme políticos de todo o país reivindicam normas mais rigorosas para as escolas.

A maioria dos Estados se comprometeu a adotar um “núcleo comum” do que cada aluno deve aprender em cada série e, em Nova York, funcionários do sistema de educação estadual fizeram uma revisão da pontuação dos testes padronizados este ano, dizendo que a média para aprovação estava muito baixa.

O Estado de Illinois começou a acompanhar o desempenho de seus diplomados do ensino médio na faculdade há muitos anos, depois de inúmeros relatos sobre calouros que fracassaram em cursos de instituições estaduais. Oficiais de Denver e da Filadélfia estão seguindo o exemplo.

Como em outras cidades, Nova York tem feito um esforço considerável para melhorar a sua taxa de conclusão do ensino médio – 59% atualmente, crescimento em relação aos 47% em 2005 – e pressionado mais os alunos para que eles ingressem em uma faculdade.

Mas muitos desses alunos estão tropeçando em níveis básicos de matemática e gramática: 46% dos graduados da escola pública de Nova York que se inscreveram em um curso de dois ou quatro anos da Universidade da Cidade de Nova York em 2007 precisaram de pelo menos um curso de recuperação e 40% deles abandonaram a faculdade no prazo de dois anos.

Em um terço das 250 escolas de ensino médio da cidade, pelo menos 70% dos formandos que passaram na Universidade da Cidade de Nova York precisaram da ajuda de cursos de recuperação.

“Sempre ficamos muito animados com os jovens que choram de emoção no dia da formatura, assumindo que eles estão indo para coisas maiores e melhores”, disse Josh Thomases, que supervisiona os programas acadêmicos do departamento de educação da cidade. “Mas agora essa ideia está sendo questionada”.

Por Jennifer Medina

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