Universidades asiáticas querem atrair estudantes de países próximos

KUALA LUMPUR ¿ Estudar em uma universidade no exterior sempre foi uma aspiração dos chineses. ¿Meu pai disse: ¿por que você quer ficar na China? Abra a cabeça, olhe para o mundo¿¿, disse Bao Qianqian, mulher de 25 anos, de Ningbo no oeste da China.

The New York Times |

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Bao Qianqian, 25, de Ningbo, na China, em seu quarto no
dormitório da HELP University College, em Kuala Lumpur

Suas opções previsíveis seriam Austrália e Grã-Bretanha, países onde suas duas irmãs e milhares de chineses estudaram. Mas Bao escolheu um destino que a manteria perto de casa e custaria bem menos, além de ter a oportunidade de melhorar o inglês e conversar com pessoas no idioma chinês. Ela escolheu a Malásia, onde é uma estudante do terceiro ano de administração na HELP University College.

Não há sinais de que a vontade de cursar o ensino superior diminuiu entre a crescente classe média asiática, por isso alguns países da Ásia buscam atrair muito mais estudantes como Bao.

Em 2007, mais de 2,8 milhões de estudantes foram matriculados em instituições do ensino superior fora de seu país natal, um crescimento de 53% desde 1999, de acordo com um relatório da UNESCO divulgado em julho. Os EUA, a Grã-Bretanha e outros países ocidentais continuam a atrair a maioria dos estudantes asiáticos, mas o relatório mostrou que, cada vez mais, um número maior está ingressando em universidades da Ásia.

No oeste da Ásia e no Pacífico, 42% dos universitários que deixaram seus lares continuavam na região em 2007, de acordo com a edição de 2009 do Global Education Digest da UNESCO.

Tanto a Cingapura como a Malásia e Hong Kong querem atrair mais milhares de estudantes internacionais. A Malásia quer 100 mil estudantes estrangeiros até o próximo ano acadêmico, em comparação aos seus 71 mil atuais. Com mais de 97 mil em 2008, a Cingapura espera ter 150 mil até 2015. Hong Kong não especificou metas, mas recentemente dobrou sua cota para estudantes estrangeiros em suas universidades públicas.

Novos horizontes

Todos os três países estão tentando aumentar sua disponibilidade para oferecer educação universitária em inglês, e por um custo razoavelmente menor do que as instituições ocidentais cobram, mas cada um tem seu próprio diferencial.

A Cingapura, que só tem três universidades públicas, tem como atrativo o envolvimento da central de instituições estrangeiras com sua política de Global Schoolhouse. Algumas instituições, como a University of Nevada e a University of Chicago Booth School of Business, criaram filiais de campi em Cingapura, e outras, incluindo o Massachusetts Institute of Technology e a Stanford University, oferecem o joint degree program, programa que possibilita se formar em dois cursos de acordo com os créditos necessários por meio de universidades locais.

Toh Wee Khiang, diretor-executivo de recursos humanos no Conselho de Desenvolvimento Econômico de Cingapura, disse que o governo pretendia não apenas atrair e desenvolver talentos, mas também retê-los. A briga por pessoas habilidosas está no centro do crescimento econômico, e a educação tem um papel importante em criá-las e sustentá-las em Cingapura, disse ele, acrescentando que outra agência do governo intermediava estudantes de graduação e empregos no país em setores-chave de crescimento.

Apesar de as faculdades da Malásia não serem reconhecidas internacionalmente, o governo liberalizou seu setor educacional nos anos 1990, permitindo a criação de mais instituições privadas. Desde então, o número aumentou para 20 universidades públicas, 36 privadas e cinco campi filiais de estrangeiras.

Morshidi Sirat, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Ensino Superior da Universiti Sains Malásia, disse que agora que mais malaios de etnia chinesa e indiana podem ingressar em universidades públicas, como resultado da remoção, em 2004, do sistema de quota que favorecia a etnia malaia e grupos indígenas, o número de matrículas de locais em instituições privadas mergulharam. E elas estão tentando atrair mais estrangeiros para substituí-los, disse.

Hong Kong tem uma posição melhor para atrair estudantes internacionais, com três de suas instituições entre as 50 melhores universidades do mundo, no ranking da Times Higher Education de 2008, uma lista anual de uma revista de Londres. Ainda assim, em parte por causa de uma cota para estudantes não-locais em universidades públicas, Hong Kong teve apenas 8.400 matrículas de estrangeiros no ano acadêmico de 2008-9, sendo mais de 90% deles da China continental.

Concorrência

Atualmente, a Malásia tem uma vantagem de custo para estudantes que querem economizar. O Sirat, instituto de pesquisa, identificou a Tailândia e o Vietnã como futuros concorrentes de baixo custo. O Japão também está aceitando um grande número de chineses e sul-coreanos, devido ao declínio das matrículas domésticas.

O setor está recebendo mais opções, disse Chris Nyland, professor de comércio exterior em Monash University em Melbourne, na Austrália, mas há cada vez mais pessoas na China e na Índia que podem pagar por um ensino superior.

Apesar de haver melhores esforços por parte das universidades da região, o sucesso delas deve ser influenciado por fatores além de seu controle imediato. Pesquisadores de educação dizem que após os ataques de 11 de setembro e o consequente fortalecimento das regras para obter o visto americano, alguns estudantes começaram a buscar alternativas. A Malásia, nação de maioria muçulmana, foi um dos países que se beneficiou.


Por LIZ GOOCH


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