Universidade em Atenas atrai poderosa mistura de radicais

ATENAS - Na manhã de sábado dentro dos portões da Politécnica de Atenas, uma dúzia de jovens intoxicados vestindo blusas de moletom com capuz estavam jogados sobre cadeiras dobráveis posicionadas em volta de uma fogueira. Outros chegavam aos poucos, segurando copos de café. Como crianças ciganas eles circulavam com carrinhos de mão recolhendo garrafas de cerveja vazias.

The New York Times |

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Mas estes jovens não se recuperavam de uma longa noite de festa ou estudos. Eles se preparavam para a revolução.

Muitos dos violentos protestos que atingiram Atenas nos últimos dias, desde que um jovem de 15 anos foi morto por uma bala da polícia no dia 6 de dezembro, acontecem nessa escola e em torno dela, impulsionados por um grupo de anarquistas que muitas vezes ocuparam estes prédios.

A Universidade Nacional Técnica de Atenas, como é oficialmente chamada a Politécnica, é uma das principais faculdades da Grécia. Seu campus foi levado para fora da cidade nos anos 1980, deixando seus prédios do centro, que agora abrigam apenas os cursos de arquitetura e engenharia, além de um auditório, amplamente à mercê dos grupos manifestantes.

Conversas com pessoas dentro da Politécnica revelam uma mistura de estudantes, anarquistas mais velhos e imigrantes protestando contra tudo, da brutalidade policial à globalização e o imperialismo americano. Konstantinos Moutzouris, reitor da Politécnica, estima que cerca de 50 manifestantes se abrigam nos prédios da instituição, recebendo o apoio de outra centena todas as noites.

De acordo com a lei de asilo instituída depois que a polícia desmantelou a rebelião estudantil na Politécnica contra a junta militar em 1973, as autoridades gregas não podem entrar na propriedade da universidade a não ser que sejam solicitadas pelos gestores.

Os manifestantes disseram que continuarão a protestar até que o policial responsável pela morte do adolescente, Alexandros Grigoropoulos, seja julgado e preso.

As autoridades gregas insistem que a violência é liderada por uma pequena parcela radical, a quem chamam de "os conhecidos desconhecidos'.

O termo é "sem sentido", disse Dimitris Liberopoulous, 44, editor freelance e simpatizante dos anarquistas. "Não passa de um jogo de semiótica".

Ele disse que as autoridades não sabem quem são os manifestantes e ainda não entenderam sua frustração com a divisão de classes, a economia ruim, o sistema educacional falho e o governo corrupto.  Não está claro se os anarquistas têm alguma ligação com grupos terroristas. Mas especialistas em segurança temem que terroristas possam ver a desordem atual como terreno fértil para um ataque. Eles também temem que os próprios anarquistas possam apoiar a ação.

Apesar de Atenas ter permanecido calma no domingo, mais protestos devem ocorrer esta semana. "Há um provérbio", contou Liberopoulous, "que diz que uma guerra civil nunca acaba".

Por RACHEL DONADIO

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